sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Respostas rápidas sobre a Petrobrás e a gasolina

Antes de qualquer coisa, um disclaimer. Moisés não é economista, embora tenha ensinado conceitos de economia para muitos economistas. Moisés também não é analista de investimentos, embora tenha ensinado conceitos de analise para muitos analistas. Moisés é AAI e operador de BackOffice certificado pela bolsa, com seis anos de experiência no mercado financeiro. Assim, sou autorizado a passar recomendações de investimentos e executá-las, mas não de preços de ações. Para clientes meus interessados especificamente em ações eu repasso as recomendações do time de analistas certificados. Se deseja algum tipo de direcionamento sobre investimentos, fale comigo no pessoal.
Aham, agora que pulamos a burocracia, vamos falar mais uma vez de Petrobrás. Especificamente, vou tentar hoje explicar de forma simples algumas perguntas comuns sobre a empresa e também acrescentar outras informações que costumam aparecer no noticiário mas não são adequadamente explicadas, como porque a empresa é tão endividada, porque as vezes o dólar alto é bom e outras é ruim, e porque a gasolina no Brasil é tão cara e ao mesmo tempo vivem falando que ela é barata demais para a Petrobrás.
Vamos falar do preço da gasolina. Para isso, recomendo fortemente o http://pt.globalpetrolprices.com/. Eles possuem uma excelente comparação de preços médios atualizada com certa regularidade. Nós podemos com isso considerar o preço médio (considerando 11/01/2016 e dados oficiais) da gasolina no Brasil como R$ 3,65. Enquanto isso, nos Estados Unidos o preço é de R$ 2,41 e na Venezuela é R$ 0,06 (!). A média mundial é R$ 3,98. Existe uma série de motivos para estas discrepâncias e são os assuntos relevantes de hoje.
1)  Embora o barril de petróleo seja negociado em preço “padronizado” (isto é, o mercado internacional negocia valores similares entre si), cada país tem tributos e subsídios diferentes. Os Estados Unidos fornecem subsídios consideráveis para as empresas petroleiras, diminuindo o custo pelo qual elas precisam repassar a gasolina e outros produtos derivados ao consumidor. A Venezuela fornece subsídios absurdos, assim o baixíssimo preço. Por nosso lado, apesar da Petrobrás ser semi-estatal (já comentei anteriormente sobre o capital misto neste blog), nós temos impostos severos sobre a gasolina e outros derivados.
2)  A negociação do barril pode ocorrer em preços “padronizados”, mas o custo de produção e refino não é. O investimento necessário para abrir um poço é enorme e os retornos são... complexos. Isso tornou-se bem claro no caso da OGX, que após imensos investimentos para perfurar alguns poços, descobriu que deles sairia muito menos petróleo do que esperado. Esses poços continuavam produzindo barris, mas o custo total para extração de cada barril, contando todo o investimento, era alto demais para haver lucro na venda destes, o que tornou o negócio inviável. Algumas regiões produtoras possuem vantagem nesta linha por terem poços de fácil acesso, em lugares simples de escavar. Por nossa vez, temos muito orgulho de que a Petrobrás é a maior do mundo em exploração de petróleo em águas super-profundas. Ocorre que isto não é realmente um trunfo, e mais uma necessidade. O motivo pelo qual certas companhias não investem tanto quanto a Petrobrás neste tipo de exploração é justamente que ela é custosa, e havendo opção por poços mais simples, é o que fazem. Como nós temos uma grande quantidade de petróleo em águas super profundas, investimos muito nisso. E isso aumenta o custo de produção. Mesmo conseguindo extrair o barril, o processo é muito mais custoso e, por conseqüência, faz a necessidade de que o preço do produto final seja maior. O Pré-sal, tão comentado, é um caso de poços em condições tão adversas que a maioria das companhias de petróleo não estaria muito interessada na maioria destes poços, pois o custo deles é inviável. E isso nos leva a...
3)  Política de negócios absurdamente ruim. Parte disso eu comentei no post anterior sobre companhias de capital misto. A burocracia e as metas levam muitas empresas a ficarem em situações nas quais são forçadas a fazer um negócio ruim. Por exemplo, quando o Itaú e o Unibanco fizeram sua fusão, vários contratos comerciais foram violados. O Itaú tinha um contrato de exclusividade com o Pão de Açúcar no qual todas as operações do mercado eram com o Itaú e nenhum dos dois podia fazer essas operações com outro mercado/banco. Mas ao fundir-se com o Unibanco, o Itaú incorporou as operações de outros mercados, gerando quebra contratual e tendo que pagar uma multa violenta para o Pão de açúcar (R$ 600 milhões: http://glo.bo/1UUso0Z). No caso de uma companhia semi-estatal, o seu sócio controlador nem sempre foca em lucro. Com isso a Petrobrás teve que abrir refinarias em locais aonde não era economicamente viável com o objetivo de gerar desenvolvimento em regiões sub-desenvolvidas (antes que argumentem, isso acaba não desenvolvendo a região pois conforme o projeto dá prejuízo ele acaba parando ou não crescendo como deveria. Eu comentei isso em mais detalhe no post sobre capital misto). Outra questão é a obrigação de participar de certos negócios do pré-sal. Isso fez com que outras empresas entrassem como parceiras em negócios viáveis e deixassem a Petrobrás se virar tentando escavar poços não-rentáveis, mas que era obrigada a explorar assim mesmo, aumentando seu custo de produção.
4)  A balança cruel entre a variação cambial e o preço do barril de petróleo. Muitas companhias que trabalham com petróleo giram todo seu caixa em dólares. O barril é cotado em dólar e, nesse sentido, a variação cambial tem menos impacto para elas. Contudo, quando uma companhia tem seu giro principal em outra moeda, a variação cambial gera um efeito extra. Muitos compromissos da Petrobrás estão em dólar, tanto por obrigação quanto por estratégia. Afinal, com isso, o que afeta o barril afeta também a companhia inteira. Adicionalmente, a empresa faz operações para proteger-se de variação cambial como toda boa grande empresa. Em cenários normais, isso faz com que a variação cambial afete pouco a empresa. Contudo, em um período muito curto de tempo houve um aumento absurdamente alto do dólar ao mesmo tempo que o barril de petróleo caiu muito. Fosse só um ou outro, o movimento poderia se compensar. Os dois ocorrendo na brutalidade que foram geraram efeitos que nenhuma proteção poderia resolver. Ligado ao problema anterior da política de negócios que obrigou a empresa a realizar muitos investimentos antes de gerar o caixa necessário e por conseqüência realizar grandes levantamentos de capital (vulgo: Empréstimos) em dólar, a empresa fica numa situação em que seus custos encontram-se elevadíssimos.

Por enquanto, vamos deixar de lado a questão dos preços controlados. Falo disso quando for falar da inflação. O resultado destes fatores representa que, mesmo que o preço do combustível suba (lembrando que ele ainda está abaixo da média mundial, parecendo alto em relação contra países que fornecem subsídios para as produtoras), ele ainda será “barato” do ponto de vista da Petrobrás, pois seus custos de produção e necessidade de geração de caixa no momento (e sempre) estão elevados. Então, sim, a gasolina no Brasil é barata em relação ao padrão do mundo. Considerando todos esses fatores, seria esperado que o preço estivesse acima da média mundial, ao invés de abaixo. É óbvio que nenhum de nós gosta da idéia de ter um preço de gasolina elevado, contudo, argumentar que o combustível no Brasil é caro pode não ser a melhor escolha de palavras. Depois falamos da inflação e de como isso afeta sua vida e a relação entre inflação e falta de crescimento econômico.

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Onishiroi Shonin

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

A evolução da caverna

O mito da caverna. Você provavelmente já ouviu falar dele e, mesmo que não, já o ouviu indiretamente sem nem saber. Inicialmente contado por Sócrates, dois mil e quinhentos anos atrás, o mito visava explicar como o ser humano possui uma capacidade de escolher a ignorância. No mito, a humanidade vive presa em uma caverna, cuja entrada é uma íngrime descida, e em frente a qual brilha uma luz forte que projeta sombras para dentro da caverna. Os que vivem na caverna, acorrentados, passam o dia vendo somente estas sombras e assumem que estas são tudo o que existe. Em sequência do mito, uma pessoa liberta-se de seus grilhões e tenta sair da caverna, no qual sofre pelo esforço da íngrime subida, e é então cegado pela luz forte do mundo real. Apenas após passar por este doloroso processo, ele percebe o mundo de verdade e identifica a real forma das sombras que antes acreditava como verdadeira. Na conclusão do mito, esta pessoa tenta retornar à caverna para explicar aos seus semelhantes que vivem uma ilusão, e que o verdadeiro mundo está lá fora.
Neste ponto ele é feito em pedaços. Claro.
A história deste mito reflete-se indiretamente em dezenas de histórias (como a jornada de auto-descoberta de Alice no país das maravilhas) e diretamente em outras (Matrix um é EXATAMENTE este mito, ponto a ponto, incluindo detalhes que deixei de lado). E em um ponto que acho extremamente interessante, é curioso verificar como o mito permanece atual e a caverna evoluiu em sua forma. Quanto mais tornamos eficientes os meios de comunicação, mais alguns de nós escolhem enfiar-se na caverna. E, assim como os que permanecem na caverna do mito original, acreditamos em nossas escolhas justamente no contrário.
Um caso clássico de caverna são as redes sociais, como o Facebook e o Twitter. Um estudo recente (bit.ly/1Lmodcs) mostrou que o uso passivo destas redes sociais pode inclusive deprimir uma pessoa. Este uso passivo, denominado pela Bianca Pereira no excelente texto “como seria a vida sem facebook e twitter” (http://bit.ly/1ZmbZGN) de Timeline Vortex (tan dan dan DAAAANNNNNN) é nada mais do que mais uma expressão da caverna. Com a suposta ideia de estar atualizando-se com notícias ou eventos sociais, o ser humano para frente a uma lista de conteúdo restrita em origem e novamente restrita em exibição. Isto porque já existe restrição no que cada um posta nestas redes sociais. Seja sincero, você não escolhe colocar na rede social os detalhes sórdidos da sua vida (exceto no caso das pessoas que utilizam o twitter com criptografia para indiretas…), e sim os melhores momentos, ou as notícias inusitadas/engraçadas. Ao acessar a timeline, você visualiza uma pequena fração deste conteúdo já restrito compartilhado por outros usuários, com base nos critérios místicos destas empresas. Critérios místicos cujo objetivo fim é
1) Manter você no timeline vortex indefinidamente (está de saída? Baixe nosso aplicativo e permaneça conectado aonde estiver!)
2) Fazer você clicar em links patrocinados
3) Comprar coisas
O processo deste timeline vortex resulta em pessoas que consideram a vida do próximo mais interessante do que é de fato, recebem passivamente notícias incompletas e não necessariamente verdadeiras nas quais baseiam suas opiniões (qual foi a última vez que você clicou na notícia para saber o conteúdo completo ao invés de ler somente o sempre-bombástico-título?) e, em última instância, procrastinam. As vezes em um movimento “consciente” (“vou só dar uma olhada nas novidades rapidinho, cinco minutinhos” e lá se vai duas horas da sua vida) ou em uma auto-enganação (“uso as redes sociais para me atualizar nas notícias, olha só, doença de chagas no feijão, todo mundo precisa saber disso!”). O resultado final?
Sombras. Sombras projetadas na parede da caverna, defendidas como verdades absolutas. Afinal, como definir quando estamos usando as redes sociais para um fim positivo, e quando estamos usando como uma “caverna”? Isso talvez seja uma pergunta mais difícil de resolver. No estudo levantado, é dito que um uso ativo, isto é, o de quem efetivamente cria e posta conteúdo na rede, não afeta negativamente o humor do usuário. Mas será tão simples quanto avaliar o humor do usuário das redes sociais?
Certamente é mais do que isso. O quão ativamente você busca informação? Você busca referências? Vai além do que lhe apresentam e falam? Clica nos hiperlinks do meu blog? Interage com seres humanos que saibam do assunto? Evita a procrastinação escancarada? Ou contenta-se em saber o que o Caue Moura divulga no giro de quinta, enquanto chama quem assiste novela de alienado?

Bem, neste último caso ao menos você sabe do bebê que morreu de overdose de cocaína. Talvez a caverna não seja um lugar tão ruim assim.


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Onishiroi Shonin

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Reforma ministerial

Então, finalmente saiu a reforma ministerial. Entre o corte de oito ministérios (cabe lembrar que alguns esperavam corte de 10) e a diminuição de salário dos ministros em 10%, incluindo nisto o salário do cargo presidencial (o que tem relação direta com os muitos benefícios dos juízes, mas eu deixo isso para outro dia), porém, uma questão que considero interessante para hoje e foi alvo de debate nos últimos dias envolve a escolha de ministros propriamente dita, especialmente em função dos partidos selecionados.

Se você não estava embaixo de uma pedra nos últimos dias (ou em penedo, aonde aparentemente nenhum sinal de celular e internet jamais chegará), deve ter visto algum debate, especialmente sobre o ministério da saúde. Afinal, este ministério possui o maior orçamento entre os seus pares e muitos consideram que alocá-lo ao PMDB seja uma ação de "vender" o ministério. Por sua vez, a própria presidente(a) argumentou que, sim, a nova distribuição de ministérios visa entre outros ampliar a governabilidade. Como eu sei que você tem uma coceira nos dedos que o faz precisar sair de cima do muro e tomar uma posição, gostaria de explicar um pouco melhor alguns pontos que deve considerar neste tema. Mais uma vez, tentarei ao máximo oferecer uma visão imparcial. Se parecer que eu estou tendendo em alguma direção como melhor ou pior, não era meu objetivo (e possivelmente você estará preenchendo lacunas do texto com sua própria opinião, sinto informar).

Primeiro, é importante ter um geral do funcionamento da máquina pública. Não vou entrar em detalhes agora (prometo um texto no futuro sobre o tema), mas basta sabermos que a presidente(a) não tem poderes absolutos. A direção geral do país depende de uma série de grupos, um com poder de veto sobre o outro. Embora haja processos diferentes para vários tipos de propostas diferentes, pode ser dito em uma linha geral que para quase qualquer coisa acontecer é necessário que os senadores, deputados e a presidente(a) estejam em concordância. Mais ou menos. Assim, a presidente pode por exemplo colocar algo para funcionar imediatamente via medida provisória, mas o congresso pode derrubar essa medida no dia seguinte. Por sua vez a presidente pode vetar uma medida do congresso, mas o congresso pode posteriormente derrubar o veto. Essencialmente, se um destes poderes quiser fazer algo, depende de uma certa boa vontade do outro. Se um deles quiser impedir o outro de fazer qualquer coisa, consegue. O poder da presidente(a) é relativamente maior, mas principalmente por ser somente uma pessoa (de forma que uma decisão presidencial depende "unicamente" dela, e não da votação de várias pessoas) e outras vantagens. Uma destas, a indicação de ministros, uma vez que a presidente(a) tem poder absoluto sobre esta decisão. Os ministros, por sua vez, tem uma parcela de poder significativo, dentro de certos limites. Embora o congresso e o senado possam influenciar o orçamento e o que pode ou não ser feito mediante legislação, um ministro e sua equipe tem relativa liberdade para como executar sua função.

A facilidade de trato entre a presidente(a), o congresso e o senado é chamado de governabilidade. Assim, se estes poderes estão continuamente em conflito, diz-se que o governo tem pouca governabilidade, pois nenhum deles consegue avançar com qualquer medida, uma vez que os outros poderes o vetam. Ao serem vetados, passam a vetar o poder dos outros como uma forma de pressão (caso em que por vezes um deputado pode votar contra medidas que seria normalmente favorável unicamente para criar pressão em favor das próprias medidas). Além do conflito entre os poderes distintamente, também existem problemas em função da estrutura interna de cada poder. Assim, se a câmara de deputados possui muitos membros de partidos diferentes e nenhum deles possui maioria, ou os partidos presentes tem conflitos internos, mesmo internamente eles não caminham em uma direção única. Já quando existe apoio de um lado e outro, diz-se que existe alta governabilidade. Independente da qualidade, as propostas avançam mais rápido e existe menos disputa interna. Nessa linha, cabe observar que quanto maior o partido, mais grupos internos ele possui. Assim, enquanto partidos menores (como o partido verde, por exemplo) possuem bases relativamente sólidas, e é comum que os membros do partido votem de forma similar, partidos muito grandes como o PMDB, PT e PSDB possuem círculos dentro de círculos e alguns grupos podem ser favoráveis a certas medidas e outros não. Como um exemplo interessante, o vice-presidente Michel Temer e o presidente da Câmara dos deputados, Eduardo Cunha, apesar de pertencerem ambos ao PMDB, frequentam círculos diferentes dentro do partido (o que não significa que são opositores um do outro, mas que podem defender opiniões bem diferentes em alguns casos).

Este ano o nosso governo teve, até o presente momento, uma baixíssima governabilidade. Isso é uma consequência direta do que vimos nas urnas presidenciáveis, pois a cisão de votos estendeu-se por todas as esferas, de forma que nenhum partido ou grupo pode se gabar de uma presença significativa, embora ainda assim alguns partidos tenham uma posição mais ampla que outros. A verdade é que este ano pouca coisa foi para frente fora das esferas em que existe autonomia (o banco central e o copom, por exemplo possuem autonomia relativa e conseguem seguir adiante com suas estratégias, mas ainda assim tem limites), e dentro da máquina pública, o pouco que foi para frente normalmente saiu pela metade, por ter sido executado com concessões para sua aprovação. Em parte, isso ocorre pela diferença de visão de alguns membros do governo (em mais um exemplo, existem aqueles na câmara que acreditam que o ideal para recuperação da economia é o corte de gastos públicos, enquanto outros acreditam que isso diminuiria o investimento e o ideal é aumentar impostos e aumentar a arrecadação, e uma outra parcela acha que não existe crise e muito mais importante é legalizar o comércio livre de maconha), em outra porque alguns membros estão deliberadamete dificultando as coisas. No grupo de dificultar deliberadamente existe uma parcela significativa do PMDB, grupos dentro do PT (que conforme amplamente dito nos últimos anos, sofreu graves cisões internas) e o PSDB, que tem uma posição de conflito direto com a presidente(a).

Aqui cabe observar que este tipo de conflito não é meramente birra para fazer o outro lado parecer mal. É perfeitamente possível que isto ocorra com o que cada um acredite ser "o bem maior". Por estarem plenamente ciente destes conflitos internos, os envolvidos sabem que qualquer coisa só pode ser alcançada mediante certas concessões. E nisto cada um tenta utilizar seu poder para forçar o outro lado a conceder o mais possível e, por sua vez, limitar as concessões que tem que ceder. Um caso similar ocorre nos estados unidos e foi muito citado pouco após a re-eleição de Barack Obama, por ter ficado em uma situação aonde a maioria do congresso era de outro partido, gerando baixa governabilidade. Voltando ao nosso caso, ainda citando a relação aumentar-imposto/diminuir-custo, cada lado está ciente que se fincar o pé seu lado não vai passar e ponto. Assim, um tenta negociar com o outro para tentar meios termos. Estes meios termos vão naturalmente pender para os lados que tem maior poder de voto. Claro que não digo com isso que todos os envolvidos estão genuinamente tendo como base o bem maior, e obviamente existem interesses pessoais em pauta. Contudo, acreditar que todo o conflito é unicamente por causa de interesses pessoais e motivos mesquinhos é infantilidade (se nossa máquina pública efetivamente fosse assim, teríamos uma situação muito pior em nosso país, acredite).

E aí então, qual a relação disto com os ministérios? Para facilitar, vou citar somente o ministério da saúde que é o mais polêmico devido ao seu vistoso orçamento. Desde que chegou ao poder, o PT tem mantido este ministério sob sua alçada, tendo no seu comando um membro do partido de confiança (relativamente). Com isso, foi possível utilizar o poder inerente deste ministério para uma série de políticas sociais que eram objetivo do partido, por vezes entrando em campos que podiam ser considerados apenas marginalmente como sendo de real interesse do ministério da saúde. Se este tipo de política é feito por um ou outro motivo não cabe à mim decidir em um texto não opinativo. Contudo, existe divergências políticas sobre se estas decisões são ideais ou não. Alguns defendem que a forma de gasto do ministério atualmente é insustentável, por focar em medidas que tem resultado imediato mas não são sustentáveis. Um caso clássico que gerou opiniões distintas até dentro da comunidade médica foi o programa que trouxe médicos cubanos (e outros) para atender regiões carentes. Alguns alegaram que isto diminuía o valor do médico nacional e que resolvia um problema agora, ao tempo que gerava um alto custo que poderia ser utilizado na formação de mais médicos que poderiam, no futuro, resolver o problema de vez ao invés de uma solução temporária. Outros defendiam que era sim necessário o programa para estancar o problema imediato enquanto ao mesmo tempo se foca na formação de mais médicos e cria-se estímulos de longo prazo para a carreira. Entre outras dezenas de opiniões distintas. Assim, dependendo da visão que certos grupos possuem do que é melhor para este setor, ter um membro do partido chefiando este ministério pode tornar esse grupo mais disposto a aceitar as outras propostas com as quais normalmente não concordariam, como uma forma de troca.

"Como assim Moisés, eles não querem só poder roubar no lugar que tem mais dinheiro?" Impressionantemente, não. "Ah, Moisés, você é muito ingênuo de achar que esses caras visam o bem maior e não possuem unicamente interesse próprio." Sinto lhe informar, mas então ingênuo és tu por acreditares nisso. Fosse corrupção o ÚNICO motivador de um grupo, sua derrubada ocorrerá de forma tempestiva e unicamente pela própria mão. Não nego que isto seja um interesse possível, mas ninguém em tal esfera de poder pode ter foco somente nisto. A razão é simples. Esta prática seria insustentável. Considere o caso do banco cruzeiro do sul, no qual após o início de corrupção ativa pelos seus diretores, o banco iniciou uma espiral acelerada para a própria falência. Não defendo que tenhamos um grupo de anjos bem intencionados na política, ou mesmo que haja uma única pessoa completamente honesta no meio. Contudo, se não houvesse a defesa de posições com alguma base em resultados, o país já teria há muito tempo degenerado em um nível irrecuperável. Assim, acreditar que a corrupção é tudo que existe e o único problema, ou que ela não existe em absoluto (haha) é acreditar que trocar a sua foto no facebook pela de um desenho animado no mês de outubro cura as crianças do câncer.

Por hoje encerro. Pretendo ficar um tempo sem falar de política por agora, para não ficar maçante para todos os meus sete leitores. Caso você tenha interesse em perpetuar este tipo de discussão, ou queira outro tipo de tema, favor informar nos comentários. Se tem algum interesse em tornar essas publicações mais frequentes, curta e compartilhe. Nada é mais inspirador para um escritor do que o feedback do público (por favor, evitem arremessar objetos como foram de feedback).

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Onishiroi Shonin

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Política brasileira e Game of Thrones

Como alguns sabem, eu gosto de política. Acompanho votações, propostas, e desdobramentos. Não continuamente, pois eu continuo tendo outras atividades (como o trabalho) e hobbies (como tricotar). Mas eu acompanho política com certa proximidade e, aparentemente, mais proximidade que metade dos jornalistas políticos que conheço. E as vezes, eu admito, minha cabeça dá um nó.
Vamos lá. Uma das primeiras coisas interessantes que considero na política é que uma observação cautelosa demonstra logo que existem políticos articuladores (por exemplo, Jandira Feghali) e outros que são massa de manobra. Os articuladores normalmente possuem sob sua “asa” alguns outros membros (senadores, deputados, vereadores) que vão seguir sua opinião, e a capacidade de fazer com que alguns dos “votos perdidos” (como gosto de chamar os que não necessariamente seguem o voto de uma pessoa específica) fiquem de seu lado. A massa de manobra é uma espécie de gado eleitoral (gado inception!).
Agora, uma outra coisa interessante. A maioria dos políticos (quase todos desse grupo são parte da massa de manobra, aliás) não entende muito bem o que está fazendo. Quer dizer, sejamos francos. Você REALMENTE ACHA que o Tiririca entende as dimensões que a CPMF pode ou não tomar? Essas pessoas precisam ser convencidas ou compradas. E enquanto alguns seguem seus articuladores diretamente, outros vão sendo convencidos caso a caso. E isso leva a outro ponto interessante.
Estratégia. Coisas insanas acontecem na política. Aquele parlamentar que faltou dúzias de sessões na verdade pode estar fazendo isso por estratégia. Certas votações precisam de quórum mínimo. Por vezes, quando certos grupos percebem que não terão votos o suficiente para conseguir o que querem, eles deixam de assinar a presença no dia apesar de participarem do debate. Com isso, podem adiar votações para tentar angariar mais votos ou ao menos pressionar o outro lado de que não irão conseguir enquanto não cederem em alguns pontos. Vírgulas da lei são utilizadas como argumentos contrários ou favoráveis para pressionar as pessoas. Cargos são prometidos a inimigos por causa de uma emenda em particular, membros de certos partidos aceitam serem feitos de cristo para protegerem outros, enquanto outros assumem a postura de ofensores para desacreditar outros grupos. Enfim, uma trama complexa de eventos infindos com base no poder de voto que essas pessoas possuem. E, pasmem, nem sempre isto é utilizado com foco no benefício próprio como podem acreditar. Existem movimentos políticos extremamente elaborados e aparentemente egoístas que visam o bem maior (acredite).
E com isso, as vezes, minha cabeça dá um nó de acompanhar política. Por isso eu fico pasmo quando descubro que existem pessoas que não tem nenhum interesse neste assunto, mas acham que Game of Thrones e House of Cards são interessantes por causa da intriga. Bitch, please. Não dá nem para começar. Vou te contar um segredo. A ficção pode ser complexa, mas a vida real sempre é mais complexa que a ficção.

Exceto se estivermos falando de Metal Gear. Metal Gear é mais complexo que a realidade, que a política e que os binômios de Newton. Juntos.

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Onishiroi Shonin

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Eu lírico

Tenho livros, ce-des e de-ve-dês
(ouvi falar que estão ficando
fora de moda).

Tenho também um três em um
que toca meu vinil.

Tenho um amor, uma dor e uma lágrima
(dessa falam muito, parece
que está sempre em voga).

Tenho também um álbum
nele nenhuma foto.

Tenho sonhos, loucura e gargalhadas.
Na sopa de letrinhas de uma vida
pontos como os outros.

loucura.

Tenho versos

e loucura.


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Onishiroi Shonin

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

dezessete e pouco

A vida começou quando a música parou.
Ah, antes houve algo, sim, um bocado
um estouro diria, bastante mas não
a vida. A vida começou depois
que a música parou.

E antes eu dancei um tanto mesmo
sem saber nenhum dos passos.
Fiquei no salão com os outros
que me acompanharam no baile.

Um bocado invejoso fui talvez
dos que pareciam saber cantar
seguindo a letra com a voz
e os acordes com os pés.

E como os outros no baile eu também
era um adolescente apaixonado.
E vi quando minha paixão seguiu
nos braços de quem conhecia os passos.

Muita coisa aconteceu antes
mas a vida realmente começou
quando a música
parou.

Eu parei de dançar
e comecei a andar.


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Onishiroi Shonin

domingo, 12 de julho de 2015

Ei, eu rimo quando quero!



Poderia discorrer longamente sobre o porque não faço isso sempre (acredite, é de propósito que criei uma forma de escrever que erra a rima sem querer.... sim) mas isso é coisa para uma prosa razoavelmente longa e...

isso me leva à questão! Eu TENTO não ser um pé no saco. Sério. Eu me esforço para isso. Eu não fico marcando você na minha página nem quando compartilho minha mensagem. Eu não convido você para curtir minha página (eu SEI que você já curtiu umas 20 páginas assim). Essencialmente, eu pego leve.

Então... colabora! Eu não ganho nada com a casa de papel, nem pretendo, sinceramente. Este blog/página do face é somente para compartilhar poemas e conteúdo aleatório. Eu realmente quero fazer o conteúdo ser mais constante. Para isso eu preciso, simplesmente, de mais motivação.

Sim, é uma coisa da minha arte. Ela depende de vocês em uma forma quintessencial (você talvez não saiba, mas tudo isso começou com um evento anos atrás quando uma pessoa me falou um poema, somente um). E, sinceramente, eu poderia despejar uma mini-fortuna em publicidade. É um dos poderes do hoje em dia que fazem merda parecer brilhar como ouro (#vivaavidareal para quem lembrar da pior campanha de marketing de 2014). Mas ainda na linha da sinceridade, antes de me meter a besta eu preciso de feedback.

I mean, TRULLY, você gosta desses poemas? Ou dos comentários sobre política e economia? Ou das crônicas (coitadas, escrevi só três aqui)? Então faça um barulho. Compartilhe! Curta! Cite um amigo/a que pode gostar do conteúdo. Eu atualmente não publico a maior parte do que "produzo" por não saber o que querem. Eu escrevo vários poemas que não chegam a ser publicados, acompanho questões políticas que não me dou ao trabalho de discorrer no blog e...

eu trabalho com mercado financeiro. Eu poderia falar sobre esse assunto durante alguns dias sem parar para respirar e ainda não teria ficado cansado... e está LONGE de ser meu assunto favorito.

Pode parecer #vendervendervender mas não é isso. Eu QUERO produzir conteúdo. Conteúdo de qualidade. Conteúdo que cause valor, que inspire. Conteúdo que você pega para carregar consigo para casa e pensar e refletir, que te faz debater no bar... ou conteúdo que você leva para os amigos como sendo legal... ou que você recita para a/o mulher/homem amada/o falando de amor (ou como preliminares, como "Flower Tattoo" tem o poder de ser...). E a verdade nesse tema é que faço esse conteúdo porque quero compartilhar este conteúdo. Não planejo ganhar com ele. Ou viver disso (eu vivo de explicar para pessoas como investir, quando investir, como declarar seu imposto de renda e o que fazer quando as três coisas acima dão errado). Mas a abrangência de conteúdo e a frequência dependem de vocês.

Eu posso produzir tanto e quanto e sobre e como vocês quiserem. E para definir o que e como e quanto e sobre... eu preciso de feedback.

Então comente e compartilhe. Isso é mais importante para mim que o curtir, sério. Quando você fala com suas palavras o que gostou ou não, quando divide com outras pessoas e me permite ver a opinião de gente fora do círculo da página comentando o post, essas coisas agregam ABSURDAMENTE na minha produção. E daí, com feedback, com o refinar da opinião de vocês, eu posso ir além.



Em nota... eu sei que muita gente odeia textos tão absurdamente longos... mas aceitariam vídeos. Eu sinceramente sou contra reduzir os textos (ao menos as prosas, os poemas já são curtos e em formato de imagem para facilitar o compartilhar, mas isso é outro tema no qual posso debater AINDA MAIS LONGAMENTE) mas sou a favor da conversão em vídeo/aúdio. Isso envolve maior esforço/custo/engajamento meu. É isso que você quer? Então faça um barulho sobre isso. Eu trabalhei como analista de ouvidoria durante anos, confie em mim.

Barulho
resolve
;-)


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Onishiroi Shonin

Apoliníaco

Eu tenho rimas, algumas,
não tantas, eu sei
como as pessoas salvas
pelos salmos do rei.

Algumas, pobres,
na linguagem violentada,
são vítimas entorpes.
meramente a pedra usada.

E eu tentei, eu grito
que apolo ser mais.
Fiz disforme, eu insisto,
quebrei, tirei a paz.

Mas mesmo assim, as musas
rainhas se fizeram,
dão à minha mente asas
e a gramática quebram.

Então que se foda.
Eu rimo quando quero.
Sigo a vapor toda
sem nenhum lero lero.


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Onishiroi Shonin

sábado, 27 de junho de 2015

Heroes IN the storm

I drank some whiskey
to live more risky
I want to go a little crazy tonight.

I got my keyboard
and neon mouse pad
in multiplayer gonna do my part.

Dj is deezer
I choose the seer
to foresee when the mob is a lie.

My team is 1337
the foe we sweep
our teamplay guaranteed by skype.

The king of mobas
from ice ages.
On the past we just laugh out loud.


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Onishiroi Shonin

terça-feira, 16 de junho de 2015

Reforma Política II

Então crianças. Já debatemos a reforma política por aqui. Contudo, o caso continua rolando na câmara, com uma série de mudanças possíveis significativas e, mais uma vez, gostaria de esclarecer alguns tópicos interessantes sobre o assunto.

Primeiro cabe informar o que quero dizer com "caso continua rolando". Sei que muitas pessoas não compreendem detalhe por detalhe os trâmites da nossa política e, vez por outra, divulgam como fato algo que foi votado na câmara. Nessa linha, é importante notar que:

Até o presente momento nada do que foi votado na pauta da reforma política está em vigor, nem está certo de ficar.

Yup. Isso aí. Agora explicando melhor... a reforma política está sendo elaborada via uma PEC (proposta de emenda constitucional). Como descrevi anteriormente, este processo envolve várias etapas de votação com necessidade de aprovação tanto pelo senado quanto pela câmara federal (no senado ficam os senadores, na câmara federal os deputados federais. Os deputados estaduais ficam... nas câmaras estaduais, que votam coisas regionais, essencialmente). Até o presente momento os itens que estão sendo votados são meramente os que irão compor efetivamente o texto final da PEC (através dos chamados "Apensados à PEC"... mais ou menos). Então ainda é possível que após tudo ser decidido o resultado final seja recusado, e acabe tendo que ser alterado. Enfim, é um longo processo.

Independente disto, é importante acompanhar o que foi votado até agora e o que está em discussão. Porque? Salvo falha de minha memória, "Reforma Política" era um dos itens mais requisitados nas manifestações recentes. Após o profundo ragefly nas ruas e na internet contudo, começo a considerar que muitos dos que exigiram reforma política não pararam para definir ou considerar muito bem O QUE É reforma política. Até porque, reforma por reforma, até transformar o país em ditadura seria uma forma de reforma (perdão pela cacofonia), mesmo que não necessariamente boa. E por isso mesmo é importante o segundo ponto que acho que todos devem considerar.

Muitos pontos do que está sendo votado podem ser do seu interesse ou não. Mas são coisas que afetarão sua vida queira ou não e que são de entendimento direto sobre se você concorda ou não (já que certas votações as vezes nem eu sei dizer se sou a favor ou contra com certas nuances). E é fácil acompanhar o seu deputado com um rápido cadastro no portal da câmara ( bit.ly/1Gcl1rD ) e verificar todas as votações de cada um desde... well, sempre ( bit.ly/1cZ6zNo   -   Basta selecionar o deputado que votou ou pesquisar os deputados por partido, tem todas as informações dele/a e pode ser selecionado uma opção para ver tudo que ele/a votou, propôs e fez na vida). Nesse mesmo link anterior também tem como mandar mensagens para os deputados. Para que tudo isso? Bem, se você concorda ou discorda de algo na pauta dessa longa PEC, pode começar a filtrar os deputados que concordam mais com sua opinião, ou mesmo opinar sobre seus pontos de vista. E sim, pressão pública funciona. Acho que já ficou bem claro que eles estão a fim de ver se paramos de nos manifestar indo às ruas (porque acho isso? a PEC de reforma eleitoral está em pauta faz oito anos mas com os eventos recentes de repente decidiram acelerar o processo...). Enfim, vamos agora listar algumas das propostas votadas para saber o que pode vir a mudar, e mais importante talvez, o que foi votado para NÃO mudar.

1) Distribuição de votos: Atualmente vereadores e deputados são eleitos por um sistema proporcional. Assim, as cadeiras são distribuídas pelos partidos pelo total de votos de cada partido e então pelos mais votados dentro do partido. Isso significa que se o partido A tiver um total de 90 mil votos e um partido B tiver 10 mil votos, o primeiro terá 90% das cadeiras, mesmo que 89.900 votos tenham sido somente para um candidato. Isso não mudou, todas as opções alternativas propostas foram negadas e provavelmente nada de novo entrará nessa linha.

2) Financiamento de campanha: Verificar o post anterior sobre o assunto algumas semanas atrás ;-)

3) Reeleição: Especificamente, reeleição de cargos executivos, isto é, Prefeitos, Governadores e Presidente/a (já que insiste). Atualmente todos estes podem se reeleger uma vez em sequência. Com a nova proposta, nenhum deles terá direito a reeleição, sendo obrigatória a troca a cada mandato. Quem foi eleito em 2014 ou for em 2016 ainda terá direito a uma reeleição (salvo aqueles que já estiverem concorrendo para reeleição, como a presidente/a atual).

4) Coligações: Como todos sabem, múltiplos partidos podem se unir em uma frente única (unidos pela democracia e bons costumes S/A). Quando o fazem, apóiam um único candidato aos cargos executivos e os cargos que tem eleições proporcionais (item 1) contavam todos os partidos da coligação como um só para decidir as cadeiras. Foi votado uma proposta de impedir estas coligações nestes casos mas a mesma foi recusada (246 contra, 206 a favor). Nada muda então.

5) Acesso ao fundo partidário: O acesso ao fundo público para campanhas tinha um percentual que era oferecido a todos os partidos, mesmo que não colocassem candidatos próprios em alguns segmentos (o que permitia a um partido entrar em uma coligação e não eleger ninguém do próprio partido, somente aumentando a cota do fundo partidário disponível a coligação como um todo). Essa regra foi alterada e agora, para ter direito ao fundo partidário, é necessário concorrer com candidatos próprios e conseguir eleger ao menos um parlamentar.

6) Duração dos mandatos: Atualmente os senadores tem mandatos de 8 anos (não sabia disso? Eles também tem uma forma de reeleição misturada que nem vale a pena citar agora) e os outros cargos, quatro. Isso foi alterado e todos os cargos terão mandatos de cinco anos (back to the past). Haverá situações intermediárias enquanto se faz a transição e no fim, os eleitos de 2020 em diante estarão todos enquadrados na nova regra.

7) Eleições alternadas: A cada dois anos votamos alternadamente segmentos do governo. Foi votado uma proposta de eleições coincidentes, assim seria só uma votação para tudo a cada ciclo. A alternância contudo foi mantida (mas deixará de ser a cada dois anos e passará a ser a cada dois e três anos em função do tempo de mandato previamente citado).

8) Voto obrigatório: Foi votado o voto facultativo (que tanto vi sendo requisitado). Contudo, o voto continua obrigatório para maiores de 18 anos (311 votos mantiveram o voto obrigatório, com 134 solicitando voto facultativo e 3 abstinências).

9) Idade para eligibilidade dos cargos: Atualmente, deputados precisam ter pelo menos 21 anos, governadores 30 e senadores 35. Todos estes tiveram redução e poderá se candidatar a deputado quem tiver 18 anos e os outros cargos terão mínimo de 29 anos. Cabe lembrar que os pré-requisitos para elegibilidade são somente idade, saber ler e escrever (embora haja dúvidas no caso de certos comediantes eleitos) e ter ficha limpa (mais ou menos).

10) Data da posse: Atualmente governadores e presidente/a empossam o cargo em primeiro de janeiro. Com a proposta votada, passarão a empossar em dia 4 (governadores) e 5 (presidente). Agora você poderá assistir a posse sem a ressaca do ano novo. Curiosidade? Em função do cargo da atual presidente/a terminar em 31 de dezembro por estar no regime atual de lei, nos primeiros quatro dias de 2019 o cargo será ocupado pelo presidente interino legal na ausência do presidente e do vice, o presidente da câmara dos deputados.

Ufa. Isso é o que temos até agora. Ainda pode ocorrer alterações, assim como todos estes itens dependem de aprovação do senado. Como disse, todos os detalhes podem ser acompanhados no portal da câmara, aonde pode-se inclusive encaminhar suas próprias propostas (embora não tenha nenhuma relação com minha pessoa, por favor, sejam educados.E eu sou somente um cara que escreve coisas na internet, não um jornalista (estes os quais por vezes são muito mais tendenciosos...)).

Ja-ne. Você realmente leu isso tudo?

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Onishiroi Shonin