segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Queimando o céu (2)

Meu céu era laranja
e vivia com medo
de ser o crepúsculo
(do fim de tudo anúncio)
e não da aurora
o lusco-fusco.

A agonia e temor
pareceram uma eternidade
mas por fim, ficou
tudo azul
e fez-se dia.

Dia belo e glorioso
que sobre um verde gramado
frui.

Fruir.

Senti o vento e o frio
de uma sombra.
Tolo.
Ao dia segue-se
n a t u r a l m e n t e
o vermelho crepuscular.


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Onishiroi Shonin

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Coisa mais pura

Eu passo o tempo todo pensando
em números, palavras, sentidos
escolhas.

Peso e considero, meço.
Comparo e debato.
Decido.

Viro em cruzamentos ou
sigo reto, ou volto
ou outra coisa qualquer.

Vivo pensando.
Respiro pensando.
Durmo pensando.

Quando escrevo
finalmente
eu não me importo.


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Onishiroi Shonin

domingo, 4 de janeiro de 2015

Weapons of mass destruction

The barbarian that came
that season was the worst.
Drank all mead, not a spill.
Eat all meat, if raw still.

In his hands not axe and board
in his head not helmet and horns.
Even so the barbarian walked
unchallenged, unwavering.

Put fear and cowardice
in our warriors.
Stole the heart and soul
of our women.
Bewitched the dreams and hopes
of our children.

The damn barbarian
with his lute and verses
who did not hold back a single string.


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Onishiroi Shonin