Olá de novo pessoal. Recentemente houve um ragefly na nossa web quanto a votação da câmara sobre a forma de financiamento por empresas à campanhas políticas. Nesse processo vi mais uma vez, como costuma ser nessas ocorrências, várias pessoas cometendo contradições ou contestando pontos não realmente dentro do tema. Nisto incluo, infelizmente, alguns blogues de jornalistas e formadores de opinião de forte penetração na rede. Apesar de reconhecer minhá ínfima penetração na maravilhosa rede mundial de computadores (de acordo com as estatísticas, esse blogue e página de face somados alcançam cerca de 150 visualizações por semana), venho mais uma vez tentar fornecer um parecer mais profundo da questão com o máximo de imparcialidade que puder. Meu objetivo, como sempre, é permitir aos meus queridos/as leitores/as o conhecimento de causa para debater este tema adequadamente nas mesas de bares onde sei que seus assuntos favoritos são política, religião e futebol (curiosidade aleatória: minha playlist em shuffle eterno escolheu exatamente o momento em que escrevia a palavra "futebol" para começar a tocar "É uma partida de futebol" do Skank. Weird).
Desde a reeleição da Presidente/a Dilma (existe um sério debate sobre a inclusão de gênero nessa palavra) um tema muito levantado pelo público foi a reforma política. Por reforma política, exigiu-se, entre outros, a apreciação e votação de uma série de propostas de leis e emendas constitucionais (doravante, PEC) que foram feitas anos atrás e deixadas na gaveta. Um bom resumo sobre o andamento do processo pode ser visto no site de notícias da câmara, que recomendei que seguissem eras atrás. Para quem quiser, pode consultar um dos resumos mais recentes sobre o assunto no link http://bit.ly/1Qgjnw3 . Anyway, neste momento o foco em específico é a questão do financiamento eleitoral.
Recentemente foi aprovada uma PEC que define o financiamento ocorrendo de forma mista, com financiamento público pelo fundo partidário, e privado por doação de empresas e pessoas físicas. Assim que votado, milhares de pessoas súbitamente surgiram na rede resumindo toda a proposta aprovada a dois fatos:
1) "Oficializaram a corrupção, as empresas agora vão usar seu poder financeiro para garantir a eleição de candidatos comprometidos a passarem as propostas de seus interesses!"
2) "Eduardo Cunha é um canalha, a proposta havia sido recusada no dia anterior e ele colocou ela para votação no dia seguinte comprando mais votos para aprovação sem respeitar o prazo mínimo para nova apreciação, #foracoxinhas #comunismoforever #guevaravive "
(tentei ser fiel ao representar o que vi na rede)
Now now now... vamos tentar ver melhor o que foi votado. Novamente, não estou defendendo, nem atacando o que foi votado. Na verdade, o meu incômodo nasce de duas questões principais.
1) Em muitos casos de pessoas que postaram no face a indignação com a aprovação do financiamento privado, rolando a timeline via-se no passado igual indignação quando foi feita uma proposta que proibia o financiamento privado e tornava legal somente o financiamento público, com direito ao uso constante da frase "Defendido pelo PT, financiamento de campanha 100% público só existe em um país" (acha que estou exagerando? bbc.in/1FkMclH foi noticiado assim pela BBC em 30/03/2015). Oras, se achavam um problema o financiamento exclusivamente público... não é contraditório agora contestar a proposta de financiamento misto?
2) Odeio destruir a realidade. Sério, não gosto da cara que as pessoas fazem quando falo que, ao contrário de seus sonhos, Dom Pedro não estava montado em um corcel branco ao declarar independência, e que o Ipiranga era somente um córrego, e que relatórios militares indicam que ele estava no meio de uma caganeira. Mas, sobre o financiamento de campanhas... então... ele já é feito de forma mista. E na verdade foi até limitado. A PEC somente oficializa algo que já era possível. Ok, eu dou um tempo para a ficha cair aí. O texto vai continuar aqui quando você voltar.
Vamos em frente? Certo, vamos então detalhar melhor EXATAMENTE o que aconteceu? Ok.
Antes da votação das múltiplas propostas, os partidos recebiam dinheiro do fundo partidário de acordo com determinadas proporções (financiamento público), e pessoas físicas e jurídicas (AKA, empresas) podiam realisar doações para partidos e/ou para CANDIDATOS (financiamento privado). Isso significa que as doações podiam ser realizadas para o partido utilizar como quisesse, ou diretamente para um candidato, de forma a ser utilizável somente para a campanha do próprio e foda-se o partido. Cabe lembrar, estamos falando de doações com o objetivo único de utilização para a campanha eleitoral.
Houve então a proposta de financiamento exclusivamente público. Nesta proposta, havia a ideia de aumentar o valor total do fundo eleitoral e algumas mudanças na forma como ele é distribuído. O conceito neste caso defendido era de que esse processo impediria que o poder privado pudesse comprar posições (certo, uma doação para a campanha não compra uma eleição... mas se um candidato tem 10 milhões para gastar em sua campanha e outro tem 100 mil, o primeiro costuma ter uma certa vantagem. Pergunte para o Gabeira quando ele tenta concorrer para cargos no executivo). Contestações à esta proposta incluiam o fato de que, pela forma de distribuição do fundo os maiores partidos teriam uma certa vantagem (o que, por nota, acontece de uma forma ou outra); o fato de que isso aumentaria o custo eleitoral para os cofres públicos; o fato de que o único outro país no mundo que usa esse método é o Butão; e, nas palavras do deputado Mendonça Filha (do DEM de Pernambuco): "Ficar sem doação legal de empresas em campanhas é incentivar o caixa dois, é fomentar o sistema de financiamento ilegal". Essa proposta foi rejeitada de forma esmagadora (343 votos contra, 56 a favor e 58 abstenções. Quem votou no que pode ser visto também no site da câmara). A opinião pública também foi bem contra na ocasião.
Houve então a proposta de financiamento pelo fundo partidário e de pessoas físicas, somente, vetando a doação de empresas. Essa votação tramitou sem praticamente nenhuma repercussão pública, sendo também rejeitada com maioria de votos contra. As contestações deste modelo são similares às da anterior e não necessariamente dentro do ponto principal deste texto.
Aí, ocorreu a votação de proposta que constitucionalizaria o processo como ele atualmente é, financimento público e privado para partidos e candidatos. Esta proposta manteria as coisas exatamente como ocorrem agora, apenas tornaria o processo constitucional, uma vez que atualmente ele é meio vago. Essa proposta foi negada com 264 votos a favor, 207 contra e 4 abstenções. Não, eu não digitei errado e você não leu errado (eu acho). A proposta realmente teve maioria de votos a favor e foi negada. Isso porque uma PEC, para ser aprovada, não pode ter somente maioria de votos. É necessário que o total de votos a favor seja de pelo menos 308 (3/5 dos deputados). A PEC é votada em dois turnos, com intervalo de cinco sessões entre cada votação, e precisa ganhar nas duas votações. Logo depois foi votada proposta muito similar, o que gerou uma fúria geral pois não foi respeitado o intervalo mínimo da votação, sendo considerado tal ato como uma quebra da regra pelas mãos do Eduardo Cunha (presidente da câmara, e responsável por fazer a proposta ser votada). Já este defende que a proposta era cabível de voto devido ao fato de ser uma emenda aglutinativa, alterando o conteúdo da proposta. Essencialmente, é uma nova proposta. Se Eduardo Cunha está certo... bem, existem argumentos que dizem que não podia ser realizada a votação, e argumentos dizendo que podia, ambos com embasamento legal. Haverá discussão STF sobre o assunto e eles vão decidir.
Essa "nova proposta" altera um pouco a regra atualmente praticada. A alteração fica no ponto que as empresas, embora continuem podendo realizar doações para campanhas do partido, não poderão realizar doações diretamente para candidatos. Pessoas físicas continuarão com esse poder. Essa proposta foi aprovada, com 330 votos a favor. Como pode se observar ela efetivamente altera uma regra. Interessante notar que entre seus contestadores, existe quem não tenha nada contra o conteúdo da proposta, somente defenda que ela não deveria ficar na constituição e sim ser somente uma lei (nisto inclui-se a Jandira Feghali. Nenhum motivo particular para citar ela nisso, só achei interessante a contestação dela ser isso).
Então... falei um bocado, e nem falei tudo sobre o que está acontecendo na "reforma política". Espero, contudo, ter elaborado melhor partes desse processo e auxiliar na formação de opiniões concretas e bem fundamentadas no inevitável debate político que certamente vossas pessoas pretendem ter na mesa do bar deste sábado vindouro. Comentários, contestações (e palavrões, eles as vezes ocorrem), por favor, coloquem aí abaixo. Caso tenham interesse em esclarecimento sobre outras questões e eventos (alguns bizarros) dessa nossa política, podem perguntar também. Jurisdiquês é reconhecidamente um dialeto complexo.
Ja-ne. Afinal, qual é o problema?
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Onishiroi Shonin
sexta-feira, 29 de maio de 2015
Hit de verão
E foi verão o ano todo
ou foi como se fosse,
um longo ano, de longo
eterno
verão.
E foi quando nos vimos
e como jovens que éramos,
foi quando nos apaixonamos
ao som das músicas de verão.
E foi um belo verão.
Éramos tão jovens.
Dançamos a dança, giramos.
Cantamos a canção.
Mas o ano acabou.
O verão se foi...
e você seguiu em frente.
Fiquei aqui, em frente ao mar,
até hoje, ouvindo
as músicas de verão.
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Onishiroi Shonin
ou foi como se fosse,
um longo ano, de longo
eterno
verão.
E foi quando nos vimos
e como jovens que éramos,
foi quando nos apaixonamos
ao som das músicas de verão.
E foi um belo verão.
Éramos tão jovens.
Dançamos a dança, giramos.
Cantamos a canção.
Mas o ano acabou.
O verão se foi...
e você seguiu em frente.
Fiquei aqui, em frente ao mar,
até hoje, ouvindo
as músicas de verão.
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Onishiroi Shonin
quarta-feira, 27 de maio de 2015
6 AM
Esse é o tipo de manhã
em que se a escolha fosse minha
(mas a escolha é do gás e da luz,
do dono da padaria
e de quem dita o rumo da economia)
debaixo do chuveiro
(da água quente)
eu nunca sairia.
Mas a escolha não é minha.
Por isso sair
e fingir que fui eu que decidi.
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Onishiroi Shonin
em que se a escolha fosse minha
(mas a escolha é do gás e da luz,
do dono da padaria
e de quem dita o rumo da economia)
debaixo do chuveiro
(da água quente)
eu nunca sairia.
Mas a escolha não é minha.
Por isso sair
e fingir que fui eu que decidi.
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Onishiroi Shonin
quinta-feira, 9 de abril de 2015
Trabalhando
Fazendo contas e ativo
sem parar, ou piscar.
Café, para manter vivo
o raciocínio, o digitar.
Toda uma aparelhagem
acessória, essencial.
A mente numa eterna viagem
desligada do bem e do mal.
Fazendo contas, e mais
e mais...
e paro. Essa música
me lembra de você.
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Onishiroi Shonin
sem parar, ou piscar.
Café, para manter vivo
o raciocínio, o digitar.
Toda uma aparelhagem
acessória, essencial.
A mente numa eterna viagem
desligada do bem e do mal.
Fazendo contas, e mais
e mais...
e paro. Essa música
me lembra de você.
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Onishiroi Shonin
terça-feira, 31 de março de 2015
E ainda nem é Abril
Queria estar fazendo declarações de amor
mas estou declarando a renda.
Renda? Que renda? Ora,
a dos outros, claro.
Vivendo da riqueza
alheia
(e desta não muito)
para poder sonhar com versos
nem sempre tão longos.
Mas ao menos desses o sonho
e o som incessante
enquanto canto. E conto
cada centavo.
As vezes esqueço uma rima
mas nunca um artigo.
Parece piada
ou talvez em excesso
pessoal.
Mas é verdade que me divirto
pois aquele garoto que ia mudar o mundo
(e ainda não desistiu)
é procurado pelos frequentadores do Grand Monde.
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Onishiroi Shonin
mas estou declarando a renda.
Renda? Que renda? Ora,
a dos outros, claro.
Vivendo da riqueza
alheia
(e desta não muito)
para poder sonhar com versos
nem sempre tão longos.
Mas ao menos desses o sonho
e o som incessante
enquanto canto. E conto
cada centavo.
As vezes esqueço uma rima
mas nunca um artigo.
Parece piada
ou talvez em excesso
pessoal.
Mas é verdade que me divirto
pois aquele garoto que ia mudar o mundo
(e ainda não desistiu)
é procurado pelos frequentadores do Grand Monde.
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Onishiroi Shonin
sexta-feira, 27 de março de 2015
Tempos modernos
Ela é bonita, linda
que dá até medo.
Daquele jeito que anda
como quem sabe, no salto.
Ela sorri, e o ar vibra
impossível ao ver não sentir
o derreter de cada fibra
e deixar a barreira cair.
Ela é bonita, linda.
Que dá até medo.
Medo, coitadinha
inocente não percebe o ledo
engano
de olhar-se no espelho
e achar-se feia.
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Onishiroi Shonin
que dá até medo.
Daquele jeito que anda
como quem sabe, no salto.
Ela sorri, e o ar vibra
impossível ao ver não sentir
o derreter de cada fibra
e deixar a barreira cair.
Ela é bonita, linda.
Que dá até medo.
Medo, coitadinha
inocente não percebe o ledo
engano
de olhar-se no espelho
e achar-se feia.
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Onishiroi Shonin
segunda-feira, 23 de março de 2015
Vagabond Soul
Me chamou de mentiroso e vagabundo
pouco antes de ir embora.
Nem me dei ao trabalho de negar,
sou realmente desse tipo, toda hora.
Solto, livre, quase caindo.
Pés entrelaçados e língua enrolada.
E sim, sou eu, responsável somente
minha espécie nesse caso desculpada.
E por isso tenho cada palavra
escolhida
e todos os gestos que sempre quis
na sua vida.
Sim, tudo que digo e sou
vale menos que o ar.
Mas ao som de uma rima
sempre farei você voltar.
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Onishiroi Shonin
pouco antes de ir embora.
Nem me dei ao trabalho de negar,
sou realmente desse tipo, toda hora.
Solto, livre, quase caindo.
Pés entrelaçados e língua enrolada.
E sim, sou eu, responsável somente
minha espécie nesse caso desculpada.
E por isso tenho cada palavra
escolhida
e todos os gestos que sempre quis
na sua vida.
Sim, tudo que digo e sou
vale menos que o ar.
Mas ao som de uma rima
sempre farei você voltar.
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Onishiroi Shonin
sexta-feira, 20 de março de 2015
A morte do chinelo
Era um par de Havainas. Havaianas mesmo, do tempo em que era o chinelo mais comum do mundo. Meu primeiro par, ou, ao menos, o primeiro que consigo lembrar. Antes somente utilizava chinelos da Raider (não, não ganho jabá por isso. Ou com qualquer coisa deste blog aliás). Um carnaval, dez anos atrás, fui para mauá com um amigo e por alguma razão, levei quele par de havaianas. Na época, tinha ainda um símbolo da coca-cola nela, o que não foi a razão de escolhe-la (minha fonte de cafeína já era o café, mesmo nessa época), o fiz por ser uma que tinha uma alça para prender no pé, o que achei que seria prático no carnaval.
Devo ter demorado umas 24 horas para cortar a maldita alça. E passei depois uns bons dois ou três anos reclamando do chinelo sempre que o usava. Mas o tempo passou. A marca da coca-cola foi sumindo, a espuma foi amaciando com meu peso (o que, visto minha diminuta massa corporal, demorou um bocado), o formato do pé foi ficando definido na superfície... e aquela maldita superfície rugosa e escorregadia foi ficando cada vez mais lisa e, estranhamente, aderente. Era um chinelo com o qual se podia correr, ir a praia, andar de bicicleta e ainda chutar pessoas inconvenientes (não recomendo fazer isso com desconhecidos, melhores amigos fazem excelente material de chute para esse tipo de teste).
Ah. E as memórias. Não sei mais quantas vezes pisei na areia com aquele chinelo, para depois o carregar na mão enquanto corria. Ou quantas vezes passei horas sobre o asfalto quente e a sola dele não derreteu. Quantas poças de cerveja (e outros líquidos menos interessantes) foram pisadas... gostaria de ter a quilometragem registrada. Cabe lembrar que para mim, 10 km é uma distância perto para caminhar, e durante uns bons anos não me dei ao trabalho de trocar o chinelo. Aonde precisasse ser, aquele chinelo vagabundo e puído, já sem sinal de sua origem, iria comigo, por vezes jogado de forma descuidada e aleatória na mala ou na mochila caso fosse necessário (a vida me ensinou que é sempre bom ter um chinelo na mochila, mesmo se você tiver que ir à um lugar de sapatos sociais).
E então, eis que o chinelo arrebentou. Sem nenhum acidente ou sinal prévio, simplesmente, andando pela casa, ele desistiu de viver, como se chegasse ao limite de sua idade e seu tempo tivesse acabado. Um triste evento. Um fim indigno para um companheiro tão antigo. Mas tento lembrar das coisas positivas e seguir em frente. Afinal, ao longo desses anos acumulei uma incrível quantidade de chinelos nunca utilizados. Ao olhar tive a sensação de que eles se multiplicam espontaneamente. Não consigo me recordar da origem de nenhum deles. Escolho um, pensando no legado que ele herdará.
Na primeira pisada na rua penso que preferiria andar descalço. Sobre o asfalto quente. Com uns caquinhos de vidro para adicionar emoção. Três tropeços (que não entendi a origem), alguns escorregões (falei da superfície rugosa anti-aderente?) e uma queda quase fatal (assim como os gatos, o chinelo parece ter uma vontade de dobrar-se quando menos espero visando a dominação mundial) depois em um tempo de 10 minutos (!) de caminhada, descubro que me sinto velho demais para dispor do tempo e energia para reconstituir esse tipo de relação com um chinelo. É muito que preciso investir, e já tenho que investir meu tempo em relações com minha mulher, filha, colegas de trabalho e este laptop que adora descobrir novos problemas que precisam de correção. Infelizmente, me vejo obrigado a pendurar o (des)conforto de um par de chinelos no pé. É triste, mas preciso aceitar. Acabou. Foi um tempo bom, e pensarei neles nos dias de finados. So long, and thanks for all the fish.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
A coisa toda
Eu sei que tem as contas
e toda a questão de se tem
ou não
dinheiro para todas elas.
Só que hoje não quero saber.
Sei que tem as outras questões
da opinião e da moral e da...
das outras coisas.
Realmente não pensei nelas hoje.
Acho que esqueci o celular
em algum lugar.
Não me lembro muito bem,
hoje ele não vai importar.
Hoje (e para sempre)
vamos simplesmente
nos beijar até as estrelas apagar.
______________
Onishiroi Shonin
e toda a questão de se tem
ou não
dinheiro para todas elas.
Só que hoje não quero saber.
Sei que tem as outras questões
da opinião e da moral e da...
das outras coisas.
Realmente não pensei nelas hoje.
Acho que esqueci o celular
em algum lugar.
Não me lembro muito bem,
hoje ele não vai importar.
Hoje (e para sempre)
vamos simplesmente
nos beijar até as estrelas apagar.
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Onishiroi Shonin
domingo, 1 de fevereiro de 2015
Broken toy
I've felt the urge to love,
to ease the burden of emptiness.
Felt it not as a hunger
(as once though I would it be)
and not as a unending thirst
(as sour my throat was even still).
I've felt the urge to love,
unbeknownst to it's power.
It's subtle, overwhelming
power.
But for once, I've felt empty
of the always trice damned
emptiness.
Once
I've even felt a beating.
Was empty of emptiness
but empty was I still.
Loved, voraciously. Loved.
And if the emptiness left
it didn't welcomed anything else.
Then, for a while
I drift. And longed.
Until I found my real filling
in emptiness.
______________
Onishiroi Shonin
to ease the burden of emptiness.
Felt it not as a hunger
(as once though I would it be)
and not as a unending thirst
(as sour my throat was even still).
I've felt the urge to love,
unbeknownst to it's power.
It's subtle, overwhelming
power.
But for once, I've felt empty
of the always trice damned
emptiness.
Once
I've even felt a beating.
Was empty of emptiness
but empty was I still.
Loved, voraciously. Loved.
And if the emptiness left
it didn't welcomed anything else.
Then, for a while
I drift. And longed.
Until I found my real filling
in emptiness.
______________
Onishiroi Shonin
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