terça-feira, 20 de novembro de 2018

Escrito no asfalto

Eu ando pelas ruas da cidade.
Um guarda-chuva me protege do céu
o asfalto me protege da terra.

Eu ando pelas ruas da cidade.
Couro caro nos pés,
risca de giz em minha roupa.

Eu ando pelas ruas da cidade.
Cercado por seu som morto
de rodas que giram cavalos,
chuva que bate sem poder correr.
Céu cinza chumbo.
Chão cinza escuro.

Eu ando pelas ruas da cidade.
Cercado pelos espíritos que
similar à mim
passam.
Cabeças baixas, expressões severas.
Parecem atentamente buscar
nas pedras portuguesas uma fora de lugar.

As vezes, cruzam comigo o olhar.
Espantam-se, olhos arregalam.
Vêem meu sorriso e sei, no fundo
que se perguntam o que não viram
o que se revelou a mim.

Eu ando pelas ruas da cidade
enxergando poemas escritos
pelas gotas de chuva que caem
no meu rosto cansado,
e feliz.


______________ Onishiroi Shonin

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