E choveu e choveu
choveu sem parar.
Choveu noite e dia,
a semana, todo dia.
E me vi preso
entre janelas. Fechadas,
de vidro opaco.
Sempre frio.
Olhei o horizonte,
vi fumaça. Luzes
perdidas na escuridão.
Chovia e chovia e chovia.
Só choveu. Sentei.
Nem uma gota caiu em mim.
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Onishiroi Shonin
sexta-feira, 26 de julho de 2013
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Lágrima
E mais uma vez choveu.
Chuva névoa, garoa,
tela d'água no mundo.
Chuva que só se vê
pela falta de visão,
que não se prevê.
Chuva que não cai,
perdura no ar.
Esfria sem molhar.
Chuva. Que não deixa
marca, estrago, água.
Chuva que não lava.
Pois é, assim era.
Mais uma vez choveu.
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Onishiroi Shonin
Chuva névoa, garoa,
tela d'água no mundo.
Chuva que só se vê
pela falta de visão,
que não se prevê.
Chuva que não cai,
perdura no ar.
Esfria sem molhar.
Chuva. Que não deixa
marca, estrago, água.
Chuva que não lava.
Pois é, assim era.
Mais uma vez choveu.
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Onishiroi Shonin
terça-feira, 9 de julho de 2013
Véspera de feriado
Era um dia cinzento.
Cinzento e nublado.
Sem graça, até.
Mas o homem seguia
sorrindo.
Era um dia frio,
ventava.
O trânsito parado,
acontecia nada.
Mas o homem seguia
sorrindo.
Diziam que mais tarde
choveria. Talvez.
A noite, provável.
Mas o homem olhava
para o céu, cinza,
sorrindo.
Ele acreditava na promessa
do sol. Sabia,
mais tarde, veria
sua amada.
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Onishiroi Shonin
Cinzento e nublado.
Sem graça, até.
Mas o homem seguia
sorrindo.
Era um dia frio,
ventava.
O trânsito parado,
acontecia nada.
Mas o homem seguia
sorrindo.
Diziam que mais tarde
choveria. Talvez.
A noite, provável.
Mas o homem olhava
para o céu, cinza,
sorrindo.
Ele acreditava na promessa
do sol. Sabia,
mais tarde, veria
sua amada.
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Onishiroi Shonin
terça-feira, 2 de julho de 2013
Grounded
And there I stood.
Sure foot,
straight shoulders.
Wind tried to cut
my face in vain.
I am steel.
Sun tried to burn
my skin in vain.
I am mountain.
Death tried to take
my life in vain.
I am eternity.
Yet there I stood...
until a smile
took me away.
______________
Onishiroi Shonin
Sure foot,
straight shoulders.
Wind tried to cut
my face in vain.
I am steel.
Sun tried to burn
my skin in vain.
I am mountain.
Death tried to take
my life in vain.
I am eternity.
Yet there I stood...
until a smile
took me away.
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Onishiroi Shonin
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Noite bela
Muito pouco de sério foi dito.
Pois era uma noite bela
para se ser jovem.
E dedos foram feitos
instrumentos, dedilhando
sons acústicos das cordas,
de gargantas arfantes.
Das vozes se fez canto
em bocas que viravam
somente lábios e línguas
e corpos.
Contou-se estrelas eternas,
pois o futuro era
uma memória distante
na noite eterna,
pois era uma noite bela
para se ser jovem.
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Onishiroi Shonin
Pois era uma noite bela
para se ser jovem.
E dedos foram feitos
instrumentos, dedilhando
sons acústicos das cordas,
de gargantas arfantes.
Das vozes se fez canto
em bocas que viravam
somente lábios e línguas
e corpos.
Contou-se estrelas eternas,
pois o futuro era
uma memória distante
na noite eterna,
pois era uma noite bela
para se ser jovem.
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Onishiroi Shonin
Segunda-feira
E era cinza e turvo.
Pesado dia.
Era nuvem, neblina
chumbo.
Não tinha hora,
era longo dia
que parecia sempre
quatro da tarde.
Escutava-se o barulho
do silêncio. Desânimo.
O longo lamento
do dia arrastando.
Havia dor e cansaço.
Era, em resumo,
uma tremenda ressaca.
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Onishiroi Shonin
Pesado dia.
Era nuvem, neblina
chumbo.
Não tinha hora,
era longo dia
que parecia sempre
quatro da tarde.
Escutava-se o barulho
do silêncio. Desânimo.
O longo lamento
do dia arrastando.
Havia dor e cansaço.
Era, em resumo,
uma tremenda ressaca.
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Onishiroi Shonin
domingo, 23 de junho de 2013
Brinquedo quebrado
Sei que vai chover.
Sei porque tenho
aquele negócio quebrado
que dói quando o tempo muda.
E então me sirvo uísque
puro. Vou precisar do
calor. Vou precisa me
embriagar. Numa boa.
Assim não sinto a dor
de saber que vai chover.
Aquele negócio quebrado
talvez pare de doer.
Parece que vai sempre chover.
Aquele negócio quebrado,
acho que está quebrado.
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Onishiroi Shonin
Sei porque tenho
aquele negócio quebrado
que dói quando o tempo muda.
E então me sirvo uísque
puro. Vou precisar do
calor. Vou precisa me
embriagar. Numa boa.
Assim não sinto a dor
de saber que vai chover.
Aquele negócio quebrado
talvez pare de doer.
Parece que vai sempre chover.
Aquele negócio quebrado,
acho que está quebrado.
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Onishiroi Shonin
Uma manhã qualquer
A noite foi fria
mesmo sob os lençois.
Assim como foi fria
a manhã, mesmo sob o sol.
Olhei pela janela
e vi fantasmas na praça
como a memória querendo
preencher os bancos vazios.
Fiz café para dois,
mas até lá,
sempre tomei café por dois.
Lavei a caneca
mas mantive a sua
ainda suja.
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Onishiroi Shonin
mesmo sob os lençois.
Assim como foi fria
a manhã, mesmo sob o sol.
Olhei pela janela
e vi fantasmas na praça
como a memória querendo
preencher os bancos vazios.
Fiz café para dois,
mas até lá,
sempre tomei café por dois.
Lavei a caneca
mas mantive a sua
ainda suja.
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Onishiroi Shonin
terça-feira, 18 de junho de 2013
PEC 37
Vamos lá.
Eu não tenho tanta coisa assim contra o aumento da passagem, por vários motivos (principalmente o de ter sido abaixo do valor de inflação calculado, e blablablabla). Mas, amanhã, dia 19, vão apresentar um novo texto nas negociações da famosa PEC 37, e contra essa eu tenho algo. Bastante algo contra. E por vários motivos.
Para começo de conversa, eu não gosto de PECs ("hein Moisés, mas o que que é PEC?" PEC = Projeto de Emenda Constitucional. Em outras palavras, uma PEC aprovada pode acrescentar ou alterar algo na constituição. É o famoso liquid paper). As PECs são necessárias, para que a constituição continue adequando-se à realidade eternamente mutável e tal, mas cada alteração deve ser feita com cuidado. Porque? Ora, se eu obrigo alguém a seguir uma regra, mas dou a essa pessoa o poder de mudar a regra quando quiser sem precisar me falar, é como não dar-lhe regra nenhuma. Assim, uma emenda na constituição pode fazer com que aqueles que tem o poder de fazê-lo possam nunca estar sujeitos a regra alguma.
Especificamente, a PEC 37 determina que investigações, salvo exceções, só podem ser feitas pela polícia federal (e civil, no caso do DF). A justificativa "inocente" é que o texto atual da constituição não especifica quem pode fazer investigações, e isso fez com que ao longo do tempo a coisa fosse se dispersando, gerando conflitos, custos e blablabla. E que coisas ambíguas são ruins e que tem que ser especificado. Excelso. Porém, ao fazê-lo, remove-se o poder de investigação que atualmente o Ministério Público exerce. Isso quer dizer que daqui para diante o Ministério público não terá competência para realizar qualquer forma de investigação. Isso gera alguns problemas mas...
"Ah Moisés, deixa de ser chato. Já falaram que com isso a polícia federal vai poder concentrar os casos e cuidar melhor e vai subir os índices de sucesso. E que aqueles percentuais de 8% na internet são exagerados, justamente porque muitos casos são interrompidos favorecendo o MP quando ele entra na jogada. E manda um beijo par xuxa."
Ah, mando sim. Pode ser, de fato, que daqui a 40 anos, a vida seja melhor com a 37... mas, no momento, estou preocupado com uma relação de regras bem legais e, como sabem, adoro praticar a lógica:
Regra 1 - as normas processuais são publicadas para vigorar de imediato, aplicando-se a todos os atos ainda não-praticados
Regra 2 - Art. 5º, XL da constituição federal: "A lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu."
Regra 3 - Existe uma proposta para acrescentar a PEC 37 um artigo declarando que estão resguardadas as investigações realizadas pelo MP antes da PEC37
Regra 4 - Em caso de conflito, debate-se o que se fazer e, via de regra, deve ser escolhido o que for benéfico ao acusado.
Fato: O AP 470, também conhecido como Mensalão, foi obra de investigação do Ministério Público. O mesmo ainda não foi praticado, uma vez que as penas não foram aplicadas.
Vão lá, considerem isso tudo, mastiguem um pouco. Eu espero.
Aprovada, a PEC 37, da forma como está, possibilitará que a defesa dos mensalistas alegue que a condenação, e que todo o processo do mensalão, é inconstitucional. Logo, ele é nulo e vazio e deve ser ignorado. E todos que foram condenados vão para casa dormir tranquilos sabendo que nunca fizeram nada de errado na vida. Nada como a consciência tranquila,
Não se preocupem com quando a Polícia Federal decidir investigar nossos senadores. Basta eles passarem liquid paper na constituição de novo e alterar esse artigo, fazendo com que só os diabos da tazmânia tenham poder de realizar investigações.
Na história de hoje vocês aprenderam porque eu não gosto da PEC 37. Até amanhã pessoal.
______________
Onishiroi Shonin
Eu não tenho tanta coisa assim contra o aumento da passagem, por vários motivos (principalmente o de ter sido abaixo do valor de inflação calculado, e blablablabla). Mas, amanhã, dia 19, vão apresentar um novo texto nas negociações da famosa PEC 37, e contra essa eu tenho algo. Bastante algo contra. E por vários motivos.
Para começo de conversa, eu não gosto de PECs ("hein Moisés, mas o que que é PEC?" PEC = Projeto de Emenda Constitucional. Em outras palavras, uma PEC aprovada pode acrescentar ou alterar algo na constituição. É o famoso liquid paper). As PECs são necessárias, para que a constituição continue adequando-se à realidade eternamente mutável e tal, mas cada alteração deve ser feita com cuidado. Porque? Ora, se eu obrigo alguém a seguir uma regra, mas dou a essa pessoa o poder de mudar a regra quando quiser sem precisar me falar, é como não dar-lhe regra nenhuma. Assim, uma emenda na constituição pode fazer com que aqueles que tem o poder de fazê-lo possam nunca estar sujeitos a regra alguma.
Especificamente, a PEC 37 determina que investigações, salvo exceções, só podem ser feitas pela polícia federal (e civil, no caso do DF). A justificativa "inocente" é que o texto atual da constituição não especifica quem pode fazer investigações, e isso fez com que ao longo do tempo a coisa fosse se dispersando, gerando conflitos, custos e blablabla. E que coisas ambíguas são ruins e que tem que ser especificado. Excelso. Porém, ao fazê-lo, remove-se o poder de investigação que atualmente o Ministério Público exerce. Isso quer dizer que daqui para diante o Ministério público não terá competência para realizar qualquer forma de investigação. Isso gera alguns problemas mas...
"Ah Moisés, deixa de ser chato. Já falaram que com isso a polícia federal vai poder concentrar os casos e cuidar melhor e vai subir os índices de sucesso. E que aqueles percentuais de 8% na internet são exagerados, justamente porque muitos casos são interrompidos favorecendo o MP quando ele entra na jogada. E manda um beijo par xuxa."
Ah, mando sim. Pode ser, de fato, que daqui a 40 anos, a vida seja melhor com a 37... mas, no momento, estou preocupado com uma relação de regras bem legais e, como sabem, adoro praticar a lógica:
Regra 1 - as normas processuais são publicadas para vigorar de imediato, aplicando-se a todos os atos ainda não-praticados
Regra 2 - Art. 5º, XL da constituição federal: "A lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu."
Regra 3 - Existe uma proposta para acrescentar a PEC 37 um artigo declarando que estão resguardadas as investigações realizadas pelo MP antes da PEC37
Regra 4 - Em caso de conflito, debate-se o que se fazer e, via de regra, deve ser escolhido o que for benéfico ao acusado.
Fato: O AP 470, também conhecido como Mensalão, foi obra de investigação do Ministério Público. O mesmo ainda não foi praticado, uma vez que as penas não foram aplicadas.
Vão lá, considerem isso tudo, mastiguem um pouco. Eu espero.
Aprovada, a PEC 37, da forma como está, possibilitará que a defesa dos mensalistas alegue que a condenação, e que todo o processo do mensalão, é inconstitucional. Logo, ele é nulo e vazio e deve ser ignorado. E todos que foram condenados vão para casa dormir tranquilos sabendo que nunca fizeram nada de errado na vida. Nada como a consciência tranquila,
Não se preocupem com quando a Polícia Federal decidir investigar nossos senadores. Basta eles passarem liquid paper na constituição de novo e alterar esse artigo, fazendo com que só os diabos da tazmânia tenham poder de realizar investigações.
Na história de hoje vocês aprenderam porque eu não gosto da PEC 37. Até amanhã pessoal.
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Onishiroi Shonin
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Bakunin
Fiz do lenço branco
rosto
e da mão vazia
arma.
Fiz do corpo aberto
alvo
e do total estranho
parte.
Fiz da informação
poder
e do medo
ímpeto.
Fiz caos
contra a ordem
que gera o caos
para gerar ordem.
Fiz pouco.
Fizemos muito.
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Onishiroi Shonin
rosto
e da mão vazia
arma.
Fiz do corpo aberto
alvo
e do total estranho
parte.
Fiz da informação
poder
e do medo
ímpeto.
Fiz caos
contra a ordem
que gera o caos
para gerar ordem.
Fiz pouco.
Fizemos muito.
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Onishiroi Shonin
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