Navego por um mar incomum
no qual a rede é o caminho
e os dedos dizem a direção.
Navego como um louco, surfo.
Vôo como uma folha ao vento,
um galho na correnteza.
Me alimento não de plâncton,
mas de dados, dos mais diversos,
independente de forma ou origem.
Ah! mas feliz fico quando encontro
como se fossem ervilhas no pasto
o objeto poético não identificado.
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Onishiroi Shonin
domingo, 17 de agosto de 2014
terça-feira, 15 de julho de 2014
Uma prosa
Sim, eu conheci o poeta.
Eu o encontrei no vale,
andando entre os lírios.
Admirava-se com cada
um, único, lírio.
Conheci sua gargalhada,
trovejante, sonora, contagiante.
Contava histórias como um mago
tecendo o mundo em palavras.
Em todo o tempo com o poeta
contudo,
nunca o vi derramar uma lágrima
sobre as pétalas dos lírios.
Ah, eu o vi sério, frio,
com os olhos extremamente distantes.
Quando indaguei, ouvi
em dura, seca, árida prosa
que o poeta havia trocado
lágrimas
por versos.
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Onishiroi Shonin
Eu o encontrei no vale,
andando entre os lírios.
Admirava-se com cada
um, único, lírio.
Conheci sua gargalhada,
trovejante, sonora, contagiante.
Contava histórias como um mago
tecendo o mundo em palavras.
Em todo o tempo com o poeta
contudo,
nunca o vi derramar uma lágrima
sobre as pétalas dos lírios.
Ah, eu o vi sério, frio,
com os olhos extremamente distantes.
Quando indaguei, ouvi
em dura, seca, árida prosa
que o poeta havia trocado
lágrimas
por versos.
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Onishiroi Shonin
Final de outono
Eu vou descendo pela rua.
O chão é tão limpo,
que não há pedras à chutar.
A iluminação, tão farta,
que não há sombras a esgueirar.
É final de outono, as folhas
já caíram todas.
Eu vou descendo pela rua.
Uma rua qualquer, mas
que todos já desceram, todos
vão descer.
Aqui, nessa rua,
eu destruí um coração.
Eu vou descendo a rua.
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Onishiroi Shonin
O chão é tão limpo,
que não há pedras à chutar.
A iluminação, tão farta,
que não há sombras a esgueirar.
É final de outono, as folhas
já caíram todas.
Eu vou descendo pela rua.
Uma rua qualquer, mas
que todos já desceram, todos
vão descer.
Aqui, nessa rua,
eu destruí um coração.
Eu vou descendo a rua.
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Onishiroi Shonin
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Avenida das Américas
Tentaram colocá-las em linha
mas elas não sabiam fazer fila.
Disseram a cada uma: seja bela
mas todas se sentiram meio cinza.
Quiseram elas alcançar o sol
mas lhes negaram.
Quiseram elas abraçar o mundo
mas lhes podaram.
Quiseram elas desistir de tudo
mas lhes regaram.
Sem que ninguém visse
foram deixando de ser.
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Onishiroi Shonin
mas elas não sabiam fazer fila.
Disseram a cada uma: seja bela
mas todas se sentiram meio cinza.
Quiseram elas alcançar o sol
mas lhes negaram.
Quiseram elas abraçar o mundo
mas lhes podaram.
Quiseram elas desistir de tudo
mas lhes regaram.
Sem que ninguém visse
foram deixando de ser.
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Onishiroi Shonin
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Uma noite perfeita
Estive andando por aí.
Olhando um pouco do mundo.
Parece que nunca vi
o bastante.
Continuo sem ver as estrelas.
Sempre nublado por aqui.
As flores continuaram
se escondendo. Malditas.
O que era cinza continuava
coberto por várias cores
que continuavam sendo
cinza.
Mordi meu velho palito,
o tipo de coisa que não muda.
É bom ter algo firme de verdade
e não esse asfalto feito pedra.
No final da noite achei
uma carrocinha de algodão doce
que me deixou com estrelas no céu
da boca.
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Onishiroi Shonin
Olhando um pouco do mundo.
Parece que nunca vi
o bastante.
Continuo sem ver as estrelas.
Sempre nublado por aqui.
As flores continuaram
se escondendo. Malditas.
O que era cinza continuava
coberto por várias cores
que continuavam sendo
cinza.
Mordi meu velho palito,
o tipo de coisa que não muda.
É bom ter algo firme de verdade
e não esse asfalto feito pedra.
No final da noite achei
uma carrocinha de algodão doce
que me deixou com estrelas no céu
da boca.
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Onishiroi Shonin
sábado, 14 de junho de 2014
Geração Coca Cola
Falaram que não ia dar.
Que gente como eu não
sabia mais o poetar.
Chamaram de tosco,
disforme, sem classe.
Eu chamei de livres.
Falaram que não servia
se não fossem catorze
Alexandres na colina.
Aí eu vi uma pedra
no meio do caminho.
Nunca me esquecerei
desse acontecimento.
Chutei a pedra,
e com ela a métrica,
e chamei o poema
de putaquepariu.
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Onishiroi Shonin
Que gente como eu não
sabia mais o poetar.
Chamaram de tosco,
disforme, sem classe.
Eu chamei de livres.
Falaram que não servia
se não fossem catorze
Alexandres na colina.
Aí eu vi uma pedra
no meio do caminho.
Nunca me esquecerei
desse acontecimento.
Chutei a pedra,
e com ela a métrica,
e chamei o poema
de putaquepariu.
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Onishiroi Shonin
Girassóis
Ando bem caladinho
como se nada tivesse à falar.
Com alguns trejeitos,
um modo estranho de suspirar.
Não fecho meus olhos,
por vezes aponto, penso.
Ando bem caladinho
como se isso nada fosse.
Ando sozinho, pulando
pedras coloridas, linhas.
Por vezes pisando na
placa amarela. Não na grama.
Ando bem caladinho,
bem quieto, sem sorrir.
Passando assim, bobo,
ninguém percebeu
que eu falei das flores.
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Onishiroi Shonin
como se nada tivesse à falar.
Com alguns trejeitos,
um modo estranho de suspirar.
Não fecho meus olhos,
por vezes aponto, penso.
Ando bem caladinho
como se isso nada fosse.
Ando sozinho, pulando
pedras coloridas, linhas.
Por vezes pisando na
placa amarela. Não na grama.
Ando bem caladinho,
bem quieto, sem sorrir.
Passando assim, bobo,
ninguém percebeu
que eu falei das flores.
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Onishiroi Shonin
quinta-feira, 12 de junho de 2014
Dane-se
Cansei de ouvir canções
me dizendo que não se deve
amar, porque os corações,
sempre vão errar.
Cansei de ouvir fracassos
de feridas sempre abertas,
de nunca cicatrizes,
e eternos abcessos.
Não desperdicem seu tempo comigo.
Existe uma voz
dentro de minha cabeça.
Chamem de estupidez,
vivo com a chama acesa.
Fiquem com sua lucidez.
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Onishiroi Shonin
me dizendo que não se deve
amar, porque os corações,
sempre vão errar.
Cansei de ouvir fracassos
de feridas sempre abertas,
de nunca cicatrizes,
e eternos abcessos.
Não desperdicem seu tempo comigo.
Existe uma voz
dentro de minha cabeça.
Chamem de estupidez,
vivo com a chama acesa.
Fiquem com sua lucidez.
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Onishiroi Shonin
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Centro empresarial
Pela janela ele via sonhos
aonde os outros viam nuvens
ou as vezes nem isso.
Nos arranhões ouvia
gritos de revolta contra
a opressão do firmamento,
e mãos de atlas que não cediam.
E via arte e ouvia música
nas pequenas coisas banais
que explodiam seus sentidos
aqui e ali.
Quis escrever um poema
mas o telefone tocou
e lembrou que
só trabalhava ali.
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Onishiroi Shonin
aonde os outros viam nuvens
ou as vezes nem isso.
Nos arranhões ouvia
gritos de revolta contra
a opressão do firmamento,
e mãos de atlas que não cediam.
E via arte e ouvia música
nas pequenas coisas banais
que explodiam seus sentidos
aqui e ali.
Quis escrever um poema
mas o telefone tocou
e lembrou que
só trabalhava ali.
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Onishiroi Shonin
segunda-feira, 9 de junho de 2014
Racionais
Era um menino e uma menina
que não eram mais crianças.
E ele sabia e ela sabia.
E faziam coisas juntos
mas não faziam juntos coisas.
Até que faziam um casal bonito.
Mas ela tinha o dela
e ele tinha a dele.
E ele olhava ela e sabia
que ela sabia, e olhava ele.
Ele era um menino inteligente
mas concluiu estupidamente
que ela, menina inteligente,
inteligentemente concluiria
e fariam coisas juntos.
Mas essas coisas nunca
são tão racionais assim.
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Onishiroi Shonin
que não eram mais crianças.
E ele sabia e ela sabia.
E faziam coisas juntos
mas não faziam juntos coisas.
Até que faziam um casal bonito.
Mas ela tinha o dela
e ele tinha a dele.
E ele olhava ela e sabia
que ela sabia, e olhava ele.
Ele era um menino inteligente
mas concluiu estupidamente
que ela, menina inteligente,
inteligentemente concluiria
e fariam coisas juntos.
Mas essas coisas nunca
são tão racionais assim.
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Onishiroi Shonin
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