domingo, 6 de janeiro de 2019

Um acidente

Era para ser uma noite daquelas
meio esquecíveis, aleatórias.
Ao menos, assim tudo indicava
entre o cheiro de chuva e o calor
que eram para o verão, normais.

Eu estava quieto, calmo, só,
salvo do mesmo eterno amigo
companhia, uma garrafa de vinho.

Era para ser uma noite daquelas
que nem se chamam normais
pois esquece-se, perde-se,
apagam-se na memória, tão iguais.

Mordi o lábio inferior contudo.

De assalto, súbito me veio
o gosto, a dor, o cheiro
a memória do seu beijo.

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Onishiroi Shonin

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Uma nova era no Brasil

Talvez eu devesse abandonar o verso
render-me a forma bruta, disforme,
da palavra direta, atirada, disparada,
como quem faz do dedo metralhadora,
arma.

Talvez devesse aceitar que o mundo
mudou.
Seguiu adiante, aceitou, virou
algo mais duro, obtuso, ríspido.
Meio sem graça ainda que cômico,
ou desesperador.

Talvez também não seja para tanto
eu somente esteja exagerando,
e fosse mais fácil não parar
mas simplificar, talvez um pouco
mais simples
fique compreensível.
Talvez, se fosse algo assim

menino veste azul
menina veste rosa
Damares acha que lacrou
eu acho que só fala bosta.

Talvez... talvez assim.

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Onishiroi Shonin

domingo, 2 de dezembro de 2018

Meu caro amigo


Meu caro amigo me perdoe a demora em responder
tanto tempo faz a sua última missiva.
Muita coisa aconteceu nesse Brasil a efervescer
entre escândalos e gritos de viva.

Imagino que tenha lido já em algum jornal
que verde e amarelo é o novo preto.
De moda sabe que eu entendo mal e mal
mas Marieta disse que não pode mais vermelho.

Felizmente ainda o futebol é emoção
mas jogador virou bem de exportação.
Soube de reforma no nosso maraca
mas por segurança só as fotos vi de casa.

Aos sábados ainda tem aquele samba do ouvidor
a mesma cerveja aguada, a cachaça ainda amarga,
mas o povo vai dançando para se esquecer da dor
e vai tecendo o dia a dia uma piada.

O Francis me pediu para lhe mandar lembranças,
infelizmente veio a dengue e nos levou as crianças.
Espero mesmo que desta vez a minha carta chegue a ti
soube que pararam os roubos de carga por aqui.

Sinto saudades da nossa prosa pela orla a debater
espero que possamos novamente antes do toque de recolher.
Não se preocupe é mais seguro do que parece na tevê
desde que se lembre de ao rojão ter que correr.

Fora isso tudo na mesma, com a graça do senhor,
do seu velho amigo, como sempre com ardor.
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças,
e a todo o pessoal.
Adeus!

______________ Onishiroi Shonin

domingo, 25 de novembro de 2018

Enquanto a censura não vem

Me falaram que era pela segurança
que quem mata quem mata
não precisa explicar porque mata.
Que eu teria o direito de uma arma
para ser a insegurança
de quem ofende a minha segurança
pois quem atira primeiro é mais
seguro.

Me prometeram lutar contra o inimigo,
o apontaram, o pintaram, o prenderam.
Mas continuam lutando contra o inimigo
que eu não tenho certeza direito do que fez,
nem sei se amanhã serei eu mesmo um,
ou meu próximo, minha próxima,
o mais terrível vilão que
fez algo. Algo.

Me juraram, Brasil acima de tudo!
Logo também venderam uma parte para
quem fizesse o maior preço.
Chamaram alguém para me ensinar sobre
o Brasil. Soube que veio de fora.

Falaram que o lema era a verdade.
A verdade nos libertará.
Mas com tanta contradição, aonde está
a verdade?
Talvez a verdade seja a coerência de quem
hoje
teme que amanhã
será preso por falar a verdade.
A verdade nos libertará.

Em espírito, talvez.

Me falaram que não devo temer,
que a democracia é forte.
Me falaram tanta coisa,
que estou já esperando como vão
me enganar dessa vez.


______________ Onishiroi Shonin

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Escrito no asfalto

Eu ando pelas ruas da cidade.
Um guarda-chuva me protege do céu
o asfalto me protege da terra.

Eu ando pelas ruas da cidade.
Couro caro nos pés,
risca de giz em minha roupa.

Eu ando pelas ruas da cidade.
Cercado por seu som morto
de rodas que giram cavalos,
chuva que bate sem poder correr.
Céu cinza chumbo.
Chão cinza escuro.

Eu ando pelas ruas da cidade.
Cercado pelos espíritos que
similar à mim
passam.
Cabeças baixas, expressões severas.
Parecem atentamente buscar
nas pedras portuguesas uma fora de lugar.

As vezes, cruzam comigo o olhar.
Espantam-se, olhos arregalam.
Vêem meu sorriso e sei, no fundo
que se perguntam o que não viram
o que se revelou a mim.

Eu ando pelas ruas da cidade
enxergando poemas escritos
pelas gotas de chuva que caem
no meu rosto cansado,
e feliz.


______________ Onishiroi Shonin

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

A eleição que nunca acabou

Nem acabará provavelmente. O que, pasmem, é a melhor notícia desde que ela começou. O Brasil é um país democrático, sob um modelo de presidencialismo de coalizão. Calma, sei que não está escrito na nossa constituição a palavra coalizão, mas neste texto isso não é um palavrão.

Nosso país não tem tradição democrática. Como resultado, frequentemente nossa noção de democracia é, no melhor dos casos, vaga. E isso faz todo sentido porque, além de termos uma democracia jovem, a maioria das relações pessoais não é democrática. Alguns costumam chamar a democracia de “ditadura da maioria”. Outros de “governo da maioria”, com quase o mesmo sentido.

Infelizmente, ambas as definições são imprecisas.

Democracia é governo do povo. E neste caso, por “povo” entende-se o conceito mais amplo de povo que possa ser aplicado em uma nação. Isto é, TODO o povo. Um governo ou ditadura da maioria seria, mal comparando, se Israel com seus 81% hebreus decidissem que os 19% árabes (censo de 2006) não tem direito a voz ou voto. Mas, como são democráticos, os árabes (por nota gente, árabe é um grupo étnico, não uma religião, tá? E, nesse contexto, hebreus também, caso não saibam) possuem voz, voto, representantes no parlamento (a Joint List, nome da “coligação” dos quatro maiores partidos representantes dos árabes, possuem 13 das 120 cadeiras no “congresso” deles, que é unicameral, cerca de 10,3%). Óbvio, a realidade é muito mais complexa e o povo de Israel não se distingue em A ou B, mas serve para dar um exemplo simplificado. Muito simplificado. Desculpa qualquer coisa.

Contudo, novamente, no Brasil costuma-se entender democracia como ditadura da maioria. E agora cabe descrever porque somos um presidencialismo de coalizão. Nosso presidente não tem poderes corruptíveis. Ou, melhor dizendo, tem bastante poder, até corruptível... mas outras instituições possuem bastante poder para equilibrar. Se um presidente decide passar uma medida provisória sem nenhum diálogo com o congresso ou com a população, o legislativo simplesmente pode ir lá e derrubar isso. O presidente também pode tentar vetar algo colocado pelo congresso. E se os dois ficarem de mau um com o outro, podem passar a vida inteira um vetando o trabalho do outro e sem ir a lugar nenhum.

Para trazer para um exemplo próximo da vida (sim, eu adoro exemplos), considere as relações que costumam haver na sua vida. Se uma pessoa jovem e seus pais precisam tomar uma decisão conjunta, o peso da vontade dos pais é muito mais forte, podendo eles simplesmente ignorar a opinião do mais jovem, ou nem mesmo consulta-lo. Em uma empresa, em uma escola, e na maioria das instituições, o poder é exercido de forma similar, verticalizada, na qual o topo sempre tem o poder decisório sem a necessidade de sequer consultar o que há abaixo. E as pessoas costumam com esse hábito pensar que o governo funciona assim. Mas a realidade é mais perto do que ocorre quando você e três amigos decidem pedir uma pizza. Os quatro vão debater sabores, um vai oferecer argumentos para o outro, algum vai ceder que não tenha o sabor que ele queria em troca de também não ter Aliche que ele não come (eu conheço uma pessoa cuja pizza favorita é de Aliche. Me diga se você também tem esse def... peculiaridade). No fim, será pega uma pizza meio a meio que talvez não deixe ninguém ABSOLUTAMENTE feliz, mas também não deixe ninguém ABSOLUTAMENTE infeliz.

A pizza não é escolhida somente com o voto binário de cada um. As opiniões são jogadas na mesa e trabalhadas. Frequentemente grupos muito heterogêneos demoram horas para pedir uma pizza, grupos mais afinados o fazem com uma agilidade invejável. E o presidencialismo de coalizão é mais similar a isso.

O presidente não pode forçar a mão e fazer o que quer. Mesmo quando se tem uma aparente “maioria” da câmara, essa maioria significa 42 senadores e 257 deputados (para maioria simples). Ou seja, mesmo que você tenha na composição desse número seus 299 melhores amigos, deve ser difícil pedir uma pizza... e tem que lembrar que a outra metade também vai pagar pela pizza e, graças a questões maravilhosas como quórum mínimo, mesmo a minoria, se decidir bater o pé, consegue tornar o governo um inferno (é tipo quando tem aquela pessoa que bate o pé e diz que se vier uma pizza com camarão mesmo em uma fatia ele não vai pagar porque é alérgico. Super apoio essa opção, eu não gosto de camarão).

Assim, o presidente, para governar, é obrigado indiretamente a formar coalizões, grupos que consigam chegar em consenso. Esse consenso normalmente tende a ser algo que não era aquilo que a maioria queria, porque teve que conceder algo para a minoria, nem o que a minoria queria, porque acaba tendo que aceitar algo da maioria e, sim, a maioria fica com mais força para trazer esse meio termo mais na sua direção. Mas daí a atropelar a minoria como se não tivesse voz, simplesmente não consegue.

E nisso eu chego ao futuro presidente. Eleito com 55% dos votos válidos (não vou entrar no mérito de quantos isso realmente são de população e tal, a discussão sobre a presença nos votos e tal fica para um outro texto), já nasce em uma população dividida. Adicionalmente, apesar de, como muitos estão falando, ter na mesma eleição uma inclusão de vários membros do seu partido e outros aliados na câmara, não tem nisso, ainda, uma representação realmente forte. Muitos membros eleitos e/ou aliados são pessoas que chegaram no partido na última hora, ou aliados declarados de última hora. E você pode ter tido uma conexão muito legal com aquela pessoa nova, mas só vai saber mesmo quando fizerem o teste de rachar a conta do bar.

E nisto, fico feliz pela eleição ainda ser um tópico de debate. Feliz porque, como um país de pouca tradição democrática, o povo frequentemente esquece que também faz parte do governo. Como somos nós que pagamos a pizza, mesmo quando não estamos lá dando o voto do “sim/não” no sabor dela, quando fazemos barulho contra ou a favor de algo, os votados são obrigados a lembrar que se irritarem suficientemente a população simplesmente não estarão lá dentro na próxima rodada. Isso foi algo interessante da eleição recente em que muitos membros do legislativo não conseguiram reeleição, que antes era algo bem normal. Mostra uma parte da evolução da memória, e da relevância de colocar o debate em voz alta. Esse mesmo som ajuda a alterar detalhes numa dita legislação antes do voto definitivo, ou mesmo sua aprovação.

A continuidade do debate, seja você de direita ou de esquerda (nota mental, também preciso falar sobre isso um dia) é um bom sinal, de que política pode vir a se tornar uma parte da conversa do dia a dia fora das eleições e ser removida do rol de coisas que não se debate, com o qual nunca concordei mesmo (filósofos não perdem uma oportunidade de discutir política ou religião. E futebol é política). Claro, como todo parto, todo início, o momento atual é difícil. O debate ainda parece mais discussão e menos desenvolvimento de ideias, enquanto ainda há muita gente querendo provar estar certa ou errada, ignorando que o mundo não é binário. Mas é um começo. A oposição tem voz sim, e tem que ter, e a posição tem que ouvir sim, e negociar sim. Para isso, é importante que todos participem de forma propositiva, e não simplesmente fincando o pé. Se tiver uma opinião, fale, seja ouvido, e ouça de volta. Talvez assim, daqui a dois anos, no próximo pleito, as pessoas estejam mais treinadas no diálogo político e tenhamos uma eleição mais saudável e menos... seja lá que nome damos para o que aconteceu nas últimas semanas.

______________ Onishiroi Shonin

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Star wars Rogue one – Review (SEM spoilers)



Star Wars Rogue One talvez seja o filme que você sempre quis ver em star wars, ou talvez seja o exato oposto. É um grande filme, sim. Não o melhor filme, embora tenha seus momentos. Definitivamente um filme que vale a pena ser visto, seja você fã da saga ou não. Contudo, talvez pela abordagem mais séria ou por sua história bem distinta das quais já estamos acostumados, ele não atinja todos da mesma forma. É importante que fique claro: Rogue One é uma história diferente de todas as outras já contadas.
Todos que já viram os filmes originais de star wars sabem que a estrela da morte existe, e que é destruída graças a um ousado plano de ataque rebelde, que só pode ser realizado graças a vários “Bothan spies” que morreram para conseguir os planos da base. Bem, talvez este seja o primeiro ponto que me incomodou no filme. Acredito não ter visto nenhum Bothan. Mas eu divago. Rogue One acerta em vários outros pontos, efetivamente corrigindo o que muitos sempre consideraram falhas no Uma nova esperança. Explica-se o porque do ponto fraco da estrela da morte, entre vários outros pontos interessantes. Mas essa é a parte do filme que você já sabe que vai encontrar antes mesmo de sair de casa para ir ao cinema.
A parte realmente excelente de Rogue One é mostrar a aliança rebelde de uma forma que até então não havíamos visto. Uma aliança conturbada e suja, com personagens que discordam entre si, com métodos diversos. E, principalmente, com um histórico tão tenebroso como... bem, como rebeldes costumam ser. Afinal, o império os denominou terroristas, dos tais que justificassem a construção de tal poderosa arma. E neste filme vemos um pouco disso. Homens e mulheres dispostos a realizar atos não tão heróicos para o objetivo de vitória da rebelião. Mais que isso, Rogue One tem a liberdade de mostrar um lado que não tivemos acesso da galáxia. O lado no qual os rebeldes e o império lutam de verdade, com baixas em ambos os lados (e stormtroopers que acertam até com certa regularidade). Ah, e eles acertaram as joelheiras dos stormtroopers.
Uma questão gerada por esta abordagem é que este filme é definitivamente mais pesado que os outros até então. Mesmo com as eventuais brincadeiras e alívios cômicos, o filme é tenso. O conflito é uma constante, blasters parecem soar por quase todo o filme e, de forma geral, sente-se uma tensão que não havia nos filmes anteriores. Um enorme feito, uma vez que já sabemos o final desta história quando ela começa.
Se o clima do filme é seu ponto alto (para quem estava como eu ansioso para assistir esse lado da história), a execução me deixou alguns desagrados. A velocidade e o conflito constante torna difícil sintonizar com e entender bem as personalidades envolvidas. A maioria dos personagens principais até descreve relativamente bem suas motivações, mas isso ocorre de forma meio forçada e mecânica, sem grandes momentos de interação calma e pacífica para vermos sua sintonia, como ocorre por exemplo em guardiões da galáxia. Por estarem quase sempre em uma situação extrema, vemos mais a forma como eles resolvem seus problemas do que a razão de serem da forma que são, e assim é difícil efetivamente importar-se com o que vai ou não ocorrer com cada um. O fato de estarem em uma situação que envolve muitos extras ao seu redor também ajuda em impedir essa sintonia, pois sempre existe algo mais ocupando nossa atenção e impedindo de focar em um ou outro personagem.
Aliás, falando em focar. Como habitual, o 3D, pelo menos o padrão, é péssimo. Não posso falar pelo real 3D ou pelo IMAX, mas se for escolher, prefira a película convencional. Apenas serviu para tornar o foco pior, como normalmente ocorre em filmes que não foram 100% focados no efeito 3D.
As atuações são “ok”. Alguns atores são excepcionais, outros nem tanto. Não tivemos desta vez uma atuação absurdamente incrível como a de Boyega, mas tivemos uma média bem boa. A personagem principal deixou um pouco a desejar na minha opinião, ao menos nos momentos de maior emoção. Alguns outros personagens (inclusive o dróide) por vezes roubavam a cena dela, mas isso pode ser tolerado.
Como ocorreu com o último filme, Rogue One consegue ter um elenco sem cor definida, com caucasianos, mestiços, asiáticos e negros espalhados de forma que qualquer um que diga que o filme tem “cotista” está precisando rever seus conceitos. Também existe uma prolixidade de sotaques, extremamente válida para um grupo tão diverso.
O filme encaixa vários cameos ao longo da história, muitos deles bem colocados. Assim como no filme do ano passado, quem está ciente dos outros enxergará um fan service, e quem não viu nenhum filme não os estranhará como cenas excessivamente forçadas (ao menos, não em sua maioria). Como todos já viram no trailer, sim Darth Vader aparece e sim, ele é foda nesse filme.
Aliás, muito foda. Talvez a melhor cena dele em toda a história esteja nesse filme. Isso vocês me dizem depois quando spoilers forem permitidos.
Os efeitos são limpos e bem feitos, sem nada muito forçado. É especialmente digno de nota que alguns personagens foram feitos inteiramente por CGI uma vez que envolvem pessoas que aparecem no IV e ou estão em outro plano de existência ou não possuem mais a mesma aparência da época, e estes efeitos foram feitos com qualidade que creio que uma pessoa não obcecada por efeitos e que não saiba de antemão quem foi feito desta forma não perceba. Apesar de que, obviamente, a “atuação” destes personagens é de longe “inferior” a média do filme.
O filme também é rico em pequenos detalhes, que podem passar despercebidos. Vários momentos envolvem reações sutis que fazem sentido se estiver prestando atenção, e eles tornam muitas cenas mais interessantes e críveis. Esteja atento.
Agora, tomando por outro ponto, Rogue One tem uma grande vantagem. Não é somente um filme de star wars. É um filme de guerra. Nesta linha, Rogue One não deixa nada a dever para o típico exemplar da espécie. Isto considerado, também possui cenas de ação extremamente bem feitas, sem o uso de movimento rápido de câmera para realizar a ação. As cenas são bem feitas, em sua maioria críveis e adequadas. Qualquer fã de ação ou de filmes de guerra convencional se sentirá a vontade com este filme, assim como o típico fã de star wars. O mais interessante, contudo, é sua conclusão diretamente conectada ao filme IV. Bem verdade, se o filme não exibisse os créditos e continuasse diretamente no IV poderia enganar alguém como um único filme... bem, salvo a qualidade de imagem, claro. Para quem NUNCA viu nenhum star wars, eu recomendaria agora começar por este, que torna a história de Uma nova esperança mais... tangível.
Por fim, na lista de efeitos sonoros... bem, não acho que vá ganhar um Oscar neste quesito. A trilha sonora original é interessante, mas não possui o tom épico esperado. Claro que competir com Jhon Willians é complexo mas... a trilha sonora tenta aproximar-se da original o bastante para incomodar. Por vezes escuta-se um arranjo que remete a alguma música antiga e então percebe-se a diferença. Sinto que seria melhor ter algo completamente original ou algo completamente igual. Tentar ter a referência sonora do original talvez tenha sido um erro.
Como recomendação geral? Veja o filme. Se ele não é tão grandioso quanto foi o Despertar da Força, é muito mais crível que este. Considerando minha irritação com a quantidade de momentos em que a barra foi forçada no filme VII, Rogue One é um agradável alívio em um filme que em sua grande maior parte faz sentido. Um bom filme, digno de ser visto no cinema, mas não um magnífico filme para fazer as pessoas chorarem de saudade.

Ja-ne. Nenhum espião bothiano foi ferido neste review.

______________ Onishiroi Shonin

sábado, 25 de junho de 2016

Troopers da morte – Resenha



Recentemente (tipo, ante-ontem) acabei de ler o livro Troopers da morte. Um livro da série legends no cenário de Star Wars. Para quem não sabe, a designação “legends” informa um livro ou conteúdo no cenário de Star Wars que não faz parte da história “oficial”, também chamada de cânone. O livro tem a assinatura de Joe Schreiber, autor habitual de livros de horror. Este é meu primeiro livro do autor, então não tenho uma referência para compará-lo aos outros livros do próprio. Contudo, é longe de ser meu primeiro livro de terror ou primeiro legends de Star Wars. Li o livro em sua versão impressa, na língua portuguesa, tradução de Caio Pereira e publicado pela editora Aleph. Enfim, ao livro. Não fornecerei nenhum spoiler, quase tudo aqui está na sinopse, salvo alguns poucos detalhes que não são impeditivos da apreciação da trama.
Primeiro é preciso comentar a qualidade da impressão. Nisto a editora Aleph nunca me decepciona. O livro é impresso em papel de qualidade (Polen Bold 70g), sem nenhuma falha na diagramação. Neste, como em todos os livros da editora que li até o presente momento, não identifiquei nenhum erro de ortografia ou falha no alinhamento dos parágrafos ou outro tipo de erro na revisão, assim como nenhuma folha danificada ou erros de impressão. Adicionalmente, a arte de capa do livro é sensacional. Internamente o livro possui alguns pequenos detalhes significativos, como a imagem utilizada para cada novo capítulo. Apesar de ser sempre a mesma imagem, adiciona um toque interessante ao efeito do livro. Por fim, o livro vem com o próprio marca páginas, um pequeno sabre de luz de papel.
Vamos então falar da história em si. A sinopse do livro deixa claro sua proposta. É uma história de zumbis no universo de Star Wars, que ocorre durante a existência do império, antes dos eventos de uma nova esperança. Uma nave prisão quebra no meio de uma viagem até um planeta prisão, encontra um cruzador imperial abandonado e um grupo vai investigá-lo procurando partes para o concerto da nave. No meio do processo um vírus se espalha e pessoas começam a passar mal. O tipo de zumbi utilizado no livro – que mundo vivemos em que podemos até classificar tipos de zumbis e infecção original – é do vírus que se espalha pelo ar, mata e transforma em zumbi. Nisso entra o primeiro momento complicado do livro, no qual os personagens principais são simplesmente imunes a infecção via aérea por... porque sim. Ok, se o autor escolhe esse tipo de infecção ele meio que fica obrigado a utilizar esse recurso, mas não deixa de ser uma situação forçada. Que seja. O livro evolui relativamente bem no início, com bastante trabalho na tensão. Contudo, em um indeterminado ponto no meio do livro as coisas se aceleram e ficam mais distantes do conceito de horror e mais próximas de um livro de ação. As coisas ficam “claras” muito rápido, de forma que é difícil ser impactado pelo horror do livro. Em algum lugar isso se perde e, embora eu possa reconhecer que os PERSONAGENS estão com medo, eu mesmo não senti nenhum incômodo. Talvez as minhas referências em Edgar Allan Poe e Stephen King tenham me imunizado de livros do gênero, mas o típico suspense e nervoso que tenho ao ler um livro desses autores não foi sentido nesta obra de Joe Schreiber. Como disse, por ser a primeira obra dele que leio, não posso dizer se chega a ser uma falha do autor, pois o universo utilizado talvez seja pouco propenso ao gênero. Contudo, houve algumas escolhas do autor que eu considero que poderiam ser mais eficientes para o tema. Um é  o uso dos zumbis “modo horda” ao invés de isolados. Regra geral, um monstro dá medo. 30.500 monstros, não. Eles se tornam comuns, e eu eventualmente não via mais problema em ter um mar de zumbis constante seguindo alguém. Segundo ponto que não gostei foi a introdução de alguns personagens famosos de star wars. Por mais que seja um elemento... interessante, é difícil inserir os personagens escolhidos no contexto do medo. Entre outros, você sabe que estes personagens são imortais, a prova de blasters e não sofrerão sequer um arranhão que poderia deixar uma cicatriz neles, o que impede a imersão. Por fim, a história tem uma série de elementos “Ex Machina”. Inúmeras vezes, entre os mais de 30.000 zumbis – considerando a tripulação de um cruzador imperial – aparece justamente o que tinha um contexto com os sobreviventes antes da infecção. E em algumas situações isso é simplesmente feito de formas impossíveis. Muito impossíveis. Absolutamente impossíveis. E isso gera descrença que, mais uma vez, afasta o medo.
Apesar disso, removido a consideração de “livro de horror”, e considerando um livro de ação, a história chega a ser bem interessante, com momentos bem emocionantes. Os personagens são bons e evoluem bem, apesar de um deles ter uma evolução muito rápida no meu gosto. A maior parte das decisões feitas pelos personagens é condizente com suas personalidades e críveis para as situações, mesmo considerando os momentos ex machina. Lendo sob esta ótica o livro é bom. Não sensacional, mas bom o suficiente para proporcionar um tempo agradável, com alguns momentos muito bons, mesmo que não o suficiente para tornar o livro um espécime singular.
A conclusão do livro, talvez, seja o ponto que força ele para o campo do regular. Como ocorre com muita freqüência, após construir uma trama tensa e com muitos nós, a solução final é meio “simples”, como se o autor percebesse que alcançou a quantidade de páginas pretendida e simplesmente precisasse encerrar em três capítulos do jeito que fosse. Mesmo assim, o final é bem interessante e satisfatório. O epílogo, em bem verdade, foi um dos meus momentos favoritos no livro, digno de uma história épica, o que aumentou um pouco minha consideração.
Concluindo, Troopers da morte é um livro bom, apesar de falhar na proposta de gênero original. Recomendaria principalmente para quem gosta de livros de ação. Eu daria uma nota de 6/10 para o livro, bom o suficiente, mas não espetacular. Compre em uma promoção e valerá a pena, mas não precisa correr para fazê-lo.

Ja-ne. Até a semana que vem devo acabar a leitura de outro livro, a Lenda de Ruff Ghanor, e informo o resultado.

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Onishiroi Shonin

terça-feira, 7 de junho de 2016

Um poema rápido

Deixe-me contar uma coisa rápida.
Tem que ser rápido, muito, muito
rápido. Porque nesse momento
bem ali perto, talvez,

uma pessoa lamuria-se numa mesa de bar
alguém encontra o amor da sua vida
e outra perde definitivamente o seu.

Alguém certamente chora esse momento
ou apenas talvez penteie o cabelo.

Pelo menos para alguém, sei
este momento é e foi
o momento mais importante
de toda sua vida.

Era só isso.

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Onishiroi Shonin

segunda-feira, 9 de maio de 2016

BIRDEMIC!!!

Como falar de certas coisas? Quando eu vi The Room eu pensei, após o filme, longamente, sobre como o que foi visto não pode ser desvisto. E, The Room foi uma das poucas coisas na vida que me deu essa vontade. É um filme que meio que tira sua fé na humanidade, que dá um vazio no coração e uma dor. Faz você perguntar o que está fazendo com sua vida para ver um filme desses.
Aí eu vi Birdemic. Em uns cinco minutos de filme já estava querendo ver The Room novamente. Sei lá, umas oito vezes, fácil.
Birdemic tem todas as coisas ruins que um filme poderia ter se tentasse. Eu vi peças escolares em que todos os atores estiveram obrigados a participar que tinha melhor interpretação. Além de que... bem, vamos por partes.
A primeira coisa notável do filme é que não existia um cameraman. Aparentemente o diretor aprendeu o botão que ligava a câmera e considerou suficiente. Isso porque existe falha de foco, a gravação se move quando não precisa e fica fixa quando poderia se mover e... bem, não existe enquadramento. A segunda coisa notável é meio que um colateral disso. Não existem microfones. O fone utilizado é o da câmera. Com a captação de todo o ruído da cena, pois não havia isolamento. E isso gera situações que dão a mesma sensação de quando alguém arranha o quadro negro. De novo. E de novo. Porque toda vez que a câmera muda, você SENTE o áudio no fundo mudando. E, claro que um filme sem cameraman e sem microfones não tinha um técnico de edição. Então muitos diálogos ocorrem assim:

*câmera fica na direção de um personagem. Ruído 1 no fundo*
*passam três segundos*
*personagem fala uma frase, talvez inaudível por causa do ruído. A câmera balançando faz uma parte ficar mais alta que a outra*
*passam mais dois segundos*
*câmera muda de personagem, com um audível CLIQUE da transição de ruído de fundo, e você passa a escutar um ruído de fundo completamente diferente*
*passam mais três segundos*
*personagem subitamente sorri, faz ha... ha... e fala uma frase, ininteligível*
*mais três segundos*

Praticamente todas as linhas são assim. Mas os diálogos não são o importante, porque 60% do tempo do filme é... um carro andando. Não, não aquela cena acelerada dos carros passando para dizer que o tempo passou. Um carro andando. Existe uma parte na qual o personagem principal (definido como referência somente porque o carro não candidatou-se) sai de casa. Vai até o carro. Desliga o alarme. Abre a porta. Entra no carro. Fecha a porta. Liga o carro. Engata a marcha. Manobra para a rua. Dirige pela rua. Faz uma curva. Anda por um tempo. Para em um posto. Abastece o carro (com uma pausa da câmera no preço da gasolina por uns 20 segundos). Volta a dirigir. Anda mais um pouco. Mais um pouquinho. LIGA A SETA (quando você viu um carro ligar a seta EM UM FILME!!??). Faz outra curva. Anda mais um pouquinho. Para. Desliga o carro. Abre a porta. Sai do carro. Fecha a porta.
Caso tenha parecido muito devagar e pausado... é porque é mesmo. Este personagem parece o robocop após um acidente grave fazendo fisioterapia. A fisioterapia é apenas um paliativo contudo, ele não tem cura mas dizem para ele que ele tem e então ele acredita.
O autor diz que o filme é um Romantic Thriler. Não só é nesta ordem como a definição de romantismo dele vem de uma mistura de filme pornô (sem o sexo) junto com lendas urbanas de ladrões de rim. Quando o personagem principal aborda a sua contraparte romântica do filme pela primeira vez, além de contracenar com a melhor atriz do filme (entre outros porque logo percebeu que o que estava fazendo era absurdamente ruim e passou a se divertir com isso), LITERALMENTE parece um filme pornô ruim sobre ladrões de rim. Até as partes que não são dele interagindo com ela parecem tiradas de um daqueles livros de literatura erótica que vende nas bancas de jornal, sem o erotismo (incluindo o amigo do personagem principal que quando ouve que ele está saindo com uma garota mas ainda estão "somente se conhecendo" utiliza a épica frase "Um dia sem sexo é um dia perdido").
Um outro ponto muito complexo do filme é o tempo. Não existe marcação clara de passagem do tempo. O que vemos é que o personagem principal conhece a menina, depois trabalha e faz um super negócio no trabalho. Algumas cenas depois a empresa é vendida por um bilhão de dólares (sim, um bilhão, com b) e, como acionista, ele ganha uma participação desconhecida. Logo depois ele aparece vendo TV em casa, e em todas as vezes que a TV aparece é para um noticiário (não vou comentar a qualidade desses noticiários, faltam-me palavras para isso, e eu lia dicionários para passar o tempo) falando de desgraças por causa do aquecimento global. Logo depois ele compra um painel solar para sua casa. Na cena seguinte ele tem uma startup que tem uma tecnologia incrível para fazer painéis solares que custam 20 vezes menos do que o que ele acabou de comprar, e convence investidores a injetar 10 milhões de dólares na startup (lembrando que logo antes ele recebeu uma parte não discriminada de 1 bilhão). E ainda logo depois ele está conversando com Nathalie, a sua contraparte no Romantic do filme, falando que a conheceu há apenas uma semana.

Resumindo:
Em SETE dias esse cara:
Fez o melhor negócio da sua vida na empresa.
A empresa foi vendida por um bi.
Criou uma consciência ecológica vendo tv.
Comprou um painel solar de US$ 19.000,00 (ele consegue um desconto de 1k)
Monta uma startup para fabricar painéis solares.
Desenvolve uma tecnologia 20 vezes mais eficiente que os painéis solares do mercado.
Consegue um venture para sua startup de 10 milhões.
Conhece a mãe da sua namorada (nem citei isso, porque a mãe consegue ser pior atriz do que os carros. Aliás, o link nesse caso foi comentado).
Não faz sexo, nem rouba rins. Got me.

O filme tem também no meio disso um encontro duplo (porque calha da melhor amiga da garota ser namorada do melhor amigo do herói, o Sr. dia sem sexo = dia perdido... aliás, essa dupla é um copy-paste de Jhon Lennon e Yoko, pois a garota é oriental e eles adoram falar de paz e de sexo, incluindo uma cena de... a gente finge que é sexo, mas... não. Enfim. Em uma cena dessas a câmera fica trinta segundos olhando um cartaz escrito IMAGINE PEACE. Cheguei até a achar que era o nome de uma empresa, sei lá), uma cena de "dança" de três minutos (não entende o que tem de errado? Lembra quando falei da performance do personagem principal, robocop, fisioterapia? Consegue imaginar isso dançando? Nem ele, que ficava tentando virar a cara para a câmera não velo, e fazia o proverbial "nada estalando os dedos". Ouvindo uma música que deveria tocar na prisão como tortura e todos teriam medo de serem presos para sempre)... um comentário sobre um filme que só eles viram que cria consciência ecológica, um show de abóboras e... outras coisas do gênero.

Então, subitamente, o casal principal decide que é hora de conhecerem-se biblicamente. E apesar de ambos serem pessoas solteiras, com suas próprias belas e grandes casas, decidem fazer isso em um motel digno dos filmes de Hitchcock. Nessa hora eu pensei que finalmente ia rolar a cena de roubo de rim que o início prenunciou. Mas ocorre só uma cena de "vamos fingir que é uma cena de sexo". Provavelmente esta cena é utilizada no treinamento de padres para estimular o celibatismo. E aí...

A cena seguinte mostra a cidade do alto, com várias... águias ou algo assim, eles foram feitos com efeitos especiais que... bem, lembram os patos de duckhunt. Fazem um som parecido também. ENFIM, a cena mostra esses bichos voando de um lado para o outro e... de repente um deles se lança para o chão (com um VROOOOOOMMM que lembra os aviões em jogos de Atari) e EXPLODE! FUCKING KAMIKAZIS-EXPLODING-EAGLES(thingies)!!! DEER LORD!

Após várias explosões com efeitos èspécïâís, os personagens acordam com uma águia bicando a janela (elas perdem a capacidade de explodir perto dos personagens principais). Os personagens, após evitarem a entrada da águia barricando a porta com a cama, decidem... sair. Afinal, não está seguro ali dentro. E a bateria do celular deles acabou e não podem pedir ajuda. Mas, claro, o personagem principal não consegue encontrar as chaves do carro, de forma que ele bate na porta de um vizinho. Vizinho de quarto de Motel. Um casal de vizinhos que não é o casal de amigos deles. E que convenientemente possuem uma van com cara de pertencer ao século anterior ao passado. E que também acham que é uma boa idéia sair daquele lugar seguro. E que, para evitar as águias no caminho até o carro decidem que precisam de armas. E então armam-se com cabides.
Eles ficam balançando cabides no ar, contra águias mal feitas que eles não conseguem ver (isso nunca foi tão notável) até o carro e então saem dirigindo. Frequentemente com as janelas abertas porque as águias não gostam de atacar vans. Ah sim, eu não falei que dentro da Van desse cara tinha um fuzil e uma pistola, além de aparentemente balas suficientes para o apocalipse zumbi né? É um filme americano, claro que eles andam com armas automáticas nas suas vans. O indivíduo também é um ex soldado que lutou no Iraque e cansou-se de toda a matança, para o filme ter outra chance de falar de paz e alguém usar a frase “Why don’t we give peace a chance?”. No meio do apocalipse. Claro.
Daí em diante... como disse, é um Romantic Thriller, nessa ordem. Então o Romantic acabou, porque já, supostamente, houve sexo, e ocorre apenas Thriller. A definição de Thriller do autor do filme envolve:
- Carros dirigindo bem devagar. Frequentemente por estradas que eles não podiam bloquear para filmar um filme Z então outros carros ficavam passando ao lado normalmente.
- Paradas para reabastecer e pegar lanches em lojas de conveniência. Não, nunca pensam em estocar suprimentos porque o apocalipse zumbi pássaro está acontecendo, eles só param quando ficam com fome mesmo.
- Cenas dos dois homens atirando para cima e de pássaros morrendo as dúzias. Realmente acho que eles roubaram as cenas dos pássaros morrendo direto de Duck Hunt.
- Picnic ao ar livre. Sim, durante o apocalipse pássaro. Não, eles nunca vão para casa. Nem pensam em ver a mãe da personagem principal.
- Uma conversa com um cientista que sabe que o aquecimento global fez os pássaros ficarem com gripe aviária, mas não faz idéia de porque eles ficaram violentos. Mas também sabe que evidências indicam que isso já aconteceu na era dos homens das cavernas e os pássaros arrancavam os olhos das pessoas, as vezes deixando-as feridas e voltando para matá-las apenas depois. No filme elas só matam mesmo.
- Crianças comendo doces.
- Carros andando.
- Abastecer o carro.
ANNNNND, that’s pretty much it. THRILLING. Após algum tempo pessoas morrem, uma atacada por um pássaro enquanto... bem, decide sair da Van para cagar. Não pode ser utilizados outros termos uma vez que o diálogo que transcorre é:
Nem as pornôs chanchadas brasileiras (cenas fortes) conseguem vencer esse diálogo! Algum tempo depois, em outra morte, descobrimos que os pássaros tem a capacidade de CUSPIR ÁCIDO (ou ao menos é o que eu e muitos outros acreditam. Apenas olhando a cena não sei se foi isso ou alguém decidiu jogar um balde de molho de galinha nas pessoas de repente). Mas sem problemas, eles nunca mais fazem isso. Tem também uma pausa numa floresta aonde encontramos um hippie protetor das árvores, com mais um discurso de como o aquecimento global está acabando com o mundo. Mas somos interrompidos pelo rugido de um leão da montanha (!), e na fuga a floresta começa a pegar fogo (!!) em vários lugares ao mesmo tempo (!!!), totalmente em efeitos especiais (!!!!).
Mas e aí? Bem... para o clímax do filme... as águias vão embora. Assim, simplesmente. Elas chegam a um consenso “Ei, acho que eles já entenderam o recado. E esses caras são legais, ele acredita em energia verde. Vamos migrar?” e vão embora. Ao fim, a cena dos sobreviventes na praia olhando o mar durante quatro minutos quando passam os créditos chega a ser um alívio. Ainda me espanto mais ao perceber que, apesar de menos qualidade que as fitas de meu aniversário de seis anos, o filme é de 2010 (e, sim, eu já não tenho seis anos faz muito tempo). Digo mais.

Existe um Birdemic 2. Se eu não voltar em duas horas, a sequência derreteu meu cérebro. Ja-ne folks.

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Onishiroi Shonin